Noronha é uma ilha paradisíaca. Protegida. Natureza intacta.
Mas, gente, quem gosta de natureza intacta tem que entender que ela traz o pacote completo. Aqui em Neuronha isso significa muuuuuitos insetos e picadas, sapos gigantes, rãzinhas por todos os lados e mabuyas, as estrelas locais, que devem ser benvindas no seu quarto que, por sua vez, será sempre cheio de aranhas. Quem não lida bem com esses bichanos, não pode morar em Noronha.
Ilhas também não tem muito espaço. Nem fonte de água pura. Morar em Noronha significa dormir em cama de solteiro, dividir quarto e banheiro, tomar banho gelado e beber água dessalinizada em vez de mineral.
E Noronha é pra turista visitar e ir embora. Quem mora aqui vive em alojamento, que são barraquinhos. Tudo é via satélite. Quem precisa baixar filmes e séries, não será feliz em Noronha. Quem Só vive se tiver internet rápida, desiste.
Em ilha, com o advento do wtsapp, peidou é notícia. Gente que se preocupa com a opinião dos outros não pode morar em ilha. Porque o povo fala. E o povo fala MESMO.
Em ilha não tem mc donalds, comida sem glúten, cerveja barata, variedade de opções de comidas, bebidas e atrativos. Só tem mesmo o que veio no barco. E o barco nem sempre vem.
Aqui também não tem muito asfalto e tem muito Sol. Trabalha-se muito. Se você não está em Noronha a passeio, é porque está trabalhando para que alguém se divirta. E a diversão do outro não pode parar.
Há vagas sim. Em muitos lugares. Mas acredite: Neuronha não é pra qualquer um. Só pra quem tem certeza absoluta de desapego.
segunda-feira, 27 de agosto de 2018
quarta-feira, 15 de agosto de 2018
Se fosse pra ter raíz, eu tinha nascido árvore
Não sei se isso interessa a alguém, mas eu gostaria de contar como vejo a vida.
Como a natureza.
Sou viciada em astrologia. Amo mato: flores e árvores. Adoro ver a água e conto para todo mundo a história que o numerólogo chinês me contou, da pedra que fica parada lá embaixo no rio e demora séculos para ser lapidada e a outra pedra, que vai descendo a cachoeira, se chocando com as outras e rapidamente vira um diamante.
Se eu fosse desenhar minha vida, ela era uma folha de planta, que a gente joga no mar e deixa ele levar para onde quiser.
A natureza é sábia, os ciclos são inevitáveis e é preciso confiar no universo. Eu não sofro de insônia porque eu confio no universo. Também daria para desenhar essa confiança: é a moeda que a gente joga para cima e deixa cair no chão. Se der cara, segue ela. Se der coroa, vai de coroa então.
Eu não sei se eu tenho sorte e por isso é fácil viver assim; ou se, justamente por viver assim, eu crio meu campo de sorte.
Eu também acredito em esforço. Em estudos. Em rede contatos e em não pecar pelo medo de tentar. E acredito, principalmente, em curiosidade. Tudo isso somado também cria um campo energético positivo. Eu tenho absoluta convicção de que a gente colhe o que planta. Eu tento espalhar coisas boas, embora o que é bom ou não seja uma questão de ponto de vista. Mas até aí... seria muito desperdício de energia me preocupar com todos os conceitos do mundo. Por isso escolho minhas sementes, que incluem positividade, sinceridade, todo o conteúdo da oração de São Francisco e inspiração em pessoas que considero incríveis.
Com fé em Deus (pode escolher seu Deus aí, fica à vontade) e pé na tábua, a minha escolha foi me jogar nessa vida louca, vida breve, vida imensa. Eu nasci lá na Mooca, meus pais mudaram pra saúde e eu fui junto porque, aos 5 anos, eu não tinha condições de pagar meu aluguel. Depois, aos 19, meus pais foram para BH e eu resolvi ir também, para tentar ser amiga do Rogério Flausino, que me foi apresentado quatro vezes e, nas quatro, ele disse "muito prazer, Rogério", como se a gente nunca tivesse se visto antes. Do Sion fomos para o Buritis e, de lá, eu resolvi sair para casar e voltamos para o Sion, onde fui feliz enquanto duro. Depois voltei pra casa do meu pai.
Nesse meio tempo, fiz teatro, fiz jornalismo, fui assessora, redatora, editora, produtora, locutora... Entrevistei o Gilberto Gil, fiz um monte de revista freela. Viajei 17 países, 15 estados brasileiros, assisti o Chico Buarque e o Paul McCartney há 8 metros de distância, fui ao cinema de graça por 4 anos. Conversei com loucos, caretas, dormi, acordei, comi e respirei.
Cansei da porra toda. Espalhei tudo o que tinha e fiquei só com uma mala. Fui para a Austrália. Aprendi a esfregar chão de churrascaria, carregar três pratos lindos na ida e nove pesados sujos na volta, fazer café, falar Strayan, gerenciar um restaurante. Conversei com gente que tava feliz de férias viajando o mundo e gente que tava morrendo ou com o filho paralítico no hospital. Larguei a bandeija e sentei na mesa do cliente pra chorar com ele, ganhei 200 dólares de gorjeta. Conheci gente de todas as idades, cores, sabores e origens, aprendi o que é um KPI, uma análise SWAT e FIFO. Viajei, sozinha, um país inteiro, de dimensões continentais. Tenho amigos e amores de fato nos lugares onde eu chego.
Voltei pra BH, não me cabia mais. Voltei pra São Paulo, fiquei feliz e insatisfeita. Jornalismo não salva o mundo, trânsito incomoda, por que todo mundo corre tanto? Fui ver como faz cinema e não gostei.
Cheguei ao sexto setênio, desce o biológico, sobe o anímico. Por que voltar para o lugar de onde vim? Fazer as mesmas coisas? Se fosse para ter raíz, eu tinha nascido árvore. (E as arveres somos nozes).
Então, eu tô indo de novo.
Foi bom estar com vocês, brincar com vocês, mas a Lua me chama e eu tenho que ir pra rua. A nova profissão chegou, se instalou e me pediu para continuar. Eu perguntei ao universo o que fazer e ele disse: toma aqui essa vaga de emprego. Vai cuidar de hotel em Fernando de Noronha. Vai viver perto do mar, vai conhecer gente nova, vai fazer coisas diferentes, vá servir aos outros.
Eu aceito, agradeço e concordo: navegar é preciso, viver não é preciso.
Um beijo, da sua sagitariana com Lua e ascendente em aquário preferida.
Como a natureza.
Sou viciada em astrologia. Amo mato: flores e árvores. Adoro ver a água e conto para todo mundo a história que o numerólogo chinês me contou, da pedra que fica parada lá embaixo no rio e demora séculos para ser lapidada e a outra pedra, que vai descendo a cachoeira, se chocando com as outras e rapidamente vira um diamante.
Se eu fosse desenhar minha vida, ela era uma folha de planta, que a gente joga no mar e deixa ele levar para onde quiser.
A natureza é sábia, os ciclos são inevitáveis e é preciso confiar no universo. Eu não sofro de insônia porque eu confio no universo. Também daria para desenhar essa confiança: é a moeda que a gente joga para cima e deixa cair no chão. Se der cara, segue ela. Se der coroa, vai de coroa então.
Eu não sei se eu tenho sorte e por isso é fácil viver assim; ou se, justamente por viver assim, eu crio meu campo de sorte.
Eu também acredito em esforço. Em estudos. Em rede contatos e em não pecar pelo medo de tentar. E acredito, principalmente, em curiosidade. Tudo isso somado também cria um campo energético positivo. Eu tenho absoluta convicção de que a gente colhe o que planta. Eu tento espalhar coisas boas, embora o que é bom ou não seja uma questão de ponto de vista. Mas até aí... seria muito desperdício de energia me preocupar com todos os conceitos do mundo. Por isso escolho minhas sementes, que incluem positividade, sinceridade, todo o conteúdo da oração de São Francisco e inspiração em pessoas que considero incríveis.
Com fé em Deus (pode escolher seu Deus aí, fica à vontade) e pé na tábua, a minha escolha foi me jogar nessa vida louca, vida breve, vida imensa. Eu nasci lá na Mooca, meus pais mudaram pra saúde e eu fui junto porque, aos 5 anos, eu não tinha condições de pagar meu aluguel. Depois, aos 19, meus pais foram para BH e eu resolvi ir também, para tentar ser amiga do Rogério Flausino, que me foi apresentado quatro vezes e, nas quatro, ele disse "muito prazer, Rogério", como se a gente nunca tivesse se visto antes. Do Sion fomos para o Buritis e, de lá, eu resolvi sair para casar e voltamos para o Sion, onde fui feliz enquanto duro. Depois voltei pra casa do meu pai.
Nesse meio tempo, fiz teatro, fiz jornalismo, fui assessora, redatora, editora, produtora, locutora... Entrevistei o Gilberto Gil, fiz um monte de revista freela. Viajei 17 países, 15 estados brasileiros, assisti o Chico Buarque e o Paul McCartney há 8 metros de distância, fui ao cinema de graça por 4 anos. Conversei com loucos, caretas, dormi, acordei, comi e respirei.
Cansei da porra toda. Espalhei tudo o que tinha e fiquei só com uma mala. Fui para a Austrália. Aprendi a esfregar chão de churrascaria, carregar três pratos lindos na ida e nove pesados sujos na volta, fazer café, falar Strayan, gerenciar um restaurante. Conversei com gente que tava feliz de férias viajando o mundo e gente que tava morrendo ou com o filho paralítico no hospital. Larguei a bandeija e sentei na mesa do cliente pra chorar com ele, ganhei 200 dólares de gorjeta. Conheci gente de todas as idades, cores, sabores e origens, aprendi o que é um KPI, uma análise SWAT e FIFO. Viajei, sozinha, um país inteiro, de dimensões continentais. Tenho amigos e amores de fato nos lugares onde eu chego.
Voltei pra BH, não me cabia mais. Voltei pra São Paulo, fiquei feliz e insatisfeita. Jornalismo não salva o mundo, trânsito incomoda, por que todo mundo corre tanto? Fui ver como faz cinema e não gostei.
Cheguei ao sexto setênio, desce o biológico, sobe o anímico. Por que voltar para o lugar de onde vim? Fazer as mesmas coisas? Se fosse para ter raíz, eu tinha nascido árvore. (E as arveres somos nozes).
Então, eu tô indo de novo.
Foi bom estar com vocês, brincar com vocês, mas a Lua me chama e eu tenho que ir pra rua. A nova profissão chegou, se instalou e me pediu para continuar. Eu perguntei ao universo o que fazer e ele disse: toma aqui essa vaga de emprego. Vai cuidar de hotel em Fernando de Noronha. Vai viver perto do mar, vai conhecer gente nova, vai fazer coisas diferentes, vá servir aos outros.
Eu aceito, agradeço e concordo: navegar é preciso, viver não é preciso.
Um beijo, da sua sagitariana com Lua e ascendente em aquário preferida.
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