Quer saber como perder 3 numerações de calça e 12 quilos em seis meses? Basta seguir essa maravilhosa dieta a qual fui submetida desde que cheguei na Austrália.
No car
(Eu não disse no carb. Os carboidratos vem depois. Eu disse no car.)
Na ausência de um carro e de amigos que o tenham, você não tem outra opção a não ser ANDAR. Ou pedalar, pros dias de preguiça de andar.
Seja curioso
Ao chegar em uma cidade nova, queira conhecê-la. Quanto mais curioso você for, mais longe irá. Quanto mais longe for, mais você vai andar e pedalar.
Morro acima
More no alto. Assim haverá uma escada no seu caminho e você terá que subir e descer todo dia. No primeiro dia você vai suar. No 30º vai subir pulando de dois em dois degraus.
Seja pobre
Estudante overseas desempregado não tem dinheiro. Estando nessa condição, quando você vê um combo do Mc Donalds ou KFC por 12 dólares, logo pensa: vou comer em 15 minutos e ficar com fome daqui duas horas. Com 12 dólares eu compro meio quilo de carne moída, 2 pacotes de macarrão e 2 latas de molho de tomate. E ainda sobra troco pra um kit kat.
Seja solitário
Não ter amigos é ótimo. Você aprender a lidar com a própria companhia, tem tempo de sobra pra treinar técnics de meditação (que posteriormente vão colaborar no auto controle na hora de comer) e estudar. Além do mais, não precisa ir pra balada, gastar com cerveja e chicken wings com chips.
Arrume um trampo
Não sou eu que vou ficar aqui
generalizando as coisas, mas a verdade é que por um bom período, seu
trampo, provavelmente, não vai ser sentado numa cadeira de escritório.
E, aí, meu bem, você vai ver o que é emagrecer. Minhas amigas faxineiras
sugerem faxina como um exercício, digo, emprego, mais completo para o
corpo. Eu optei pela modalidade de garçonete e não tenho nada a
reclamar. Longas caminhadas, muito agachamento pra pegar coisa no
armário, braço definido pela bandeja pesada e bastante alongamento pra
servir e limpar mesas. A limpeza do chão no fim da noite é ótima para os
quadris, se feita na posição correta.
Lembre que se seu trabalho é casual
Depois que arrumar emprego e amigos, quando sair com eles, tome apenas uma cerveja. Cerveja engorda e seu trabalho é casual. Pode ser que semana que vem você não tenha dinheiro pra pagar o aluguel, então é melhor economizar na cerveja.
Doughnut com parcimônia
O donut da esquina é maravilhoso. Cheio de farinha branca, 100% coberto com açúcar e recheado de meio quilo de nutela. Mas custa 6 DÓLARES. Por isso, em 6 meses, eu só comi 3. O mesmo vale pro Mocha. Por que pagar 4 dólares num café misturado com chocolate e lactose se você pode tomar um litro do pretino básico no Seven Eleven por um dólar?
Chegando no platô
Passado tudo isso, você chega num ponto em que para de perder peso. O corpo já acostuma com a coisa toda e você resolve comprar umas cervejas e uns doritos pra assistir Netflix. Aí você se depara com os seguintes documentários:
- Fed up
- Hungry for change
- Bite size
- The Man Who Ate Himself To Death
Sem mencionar o Super Size Me que todo mundo já assistiu antes.
No dia seguinte você acorda pensando nisso tudo e vai procurar sobre açúcar e farinha na internet e acaba chegando a esse site: https://zerocarbzen.com/
Depois de passar três dias lendo tudo o que está lá e ainda clicando em todos os links, você acaba decidindo procurar algo em português e descobre ele, o lindo, maravilhoso, Deus no céu ele na Terra, Flavio Passos. Que te fala em jejum, em desencanar de frutas, garante que as verdades absolutas da nutrição são infundadas e desatualizadas. Fala que você não precisa comer de 3 em 3 horas e, gente, cá entre nós, o que ele falar eu vou obedecer.
Quem não?
Enfim. Dissequei o site dele em diiiaaasss. Cliquei em todos os links, vídeos, referências, assisti os vídeos da semana da alimentação extraordinária e decidi acreditar nesses caras todos. Saí do platô e voltei a emagrecer e perder medidaaaassss.
Vontade de gastar todo meu suado (leia-se aqui, literalmente emagrecedor) salário em chocolate, macarrão e cerveja, eu tenho. De voltar a trabalhar como uma sedentária o dia inteiro com a bunda sentada na cadeira, também tenho. Só o carro que não faz falta. Prefiro a bike mesmo. Faça chuva ou faça sol. Mas, por enquanto, tô aguentando firme.
Uma dieta que reverte diabetes tipo 2 e não alimenta esses fdp que fazem a gente comer açúcar sem nenhuma necessidade, só mesmo pra eles lucrarem enquanto a gente adoece, me parece bem sensata de seguir.
Se der certo por mais tempo eu prometo escrever o livro do The Six Month Aussie Diet e enriquecer com a próxima dieta da moda ;-)
domingo, 30 de outubro de 2016
quarta-feira, 5 de outubro de 2016
Eita que esse povo é muito doido (e alguns parênteses)
Ontem, quando eu estava chegando em casa, de bike, por voltas de 15h, eu parei na porta da garagem do meu prédio e comecei a procurar minha pequena chave na minha gigante e lotada mochila.
(Eu podia ter aprendido com meus pais, que criam lógicas para guardas as coisas e nunca demoram mais de 20 segundos pra achar algo, mas toda vez que eu crio uma lógica, por exemplo, para guardar a chave na mochila, no dia seguinte eu me pergunto: "Que lógica sem lógica foi essa que eu criei? Vou mudar, que faz mais sentido" - e isso vira um ciclo sem fim e eu nunca sei onde está a chave)
Mas aí, eis que chega um simpático senhor, andando de mãos dadas com sua simpática esposa e eles sorriem pra mim
(Na Austrália todo mundo sorri pra todo mundo o tempo todo. Não me pergunte porquê. Mas eu adoro. Quando eu destranco a porta da minha casa, de manhã, eu já começo a sorrir. E só paro à noite, quando vou dormir. Dizem que ajuda a retardar o envelhecimento da pele).
Mas então, o véio chegou e ABRIU O PORTÃO PRA MIM. COM A CHAVE DELE.
hahahaha
Gente! Pensa! No Brasil, você abrindo a porta pra um estranho sem chave entrar na garagem do seu prédio!
hahahaha
(Eu disse que na Austrália todo mundo sorri, mas foi um exagero. Eu nunca fui mais de 200km distante de Brisbane, capital de Queensland. Pode ser que tenha algum lugar em que eles não sorriem).
Aí eu comecei a pensar naquela frase que ouço muito no Brasil, de que estrangeiro é muito ingênuo. E pensei: "como eu queria!". Como eu queria ser uma ingênua cidadã do primeiro mundo a ponto de não ver nenhum problema em abrir o portão da minha casa para um estranho.
Contei isso pro meu gerente e ele me falou do dia em que comprou um colchão de segunda mão e, quando foi buscar, o cara disse, pelo telefone: "Eu não estou em casa, mas faz o seguinte, entra pelo corredor, vai até o final e abre a porta dos fundos que está destrancada. É só entrar e pegar.
hahahaha
Gente! Pensa!
Ele disse que tava esperando alguém ligar pra polícia pra avisar que a casa estava sendo invadida. Bendita ingenuidade é essa de ver alguém entrar na casa do seu vizinho e a última coisa que você vai pensar é "esse cara vai roubar".
(A propósito, era um colchão de criança, pelo qual ele pagou CINCO DOLÁRES. Porque aqui eles usam um cadin e botam no gumtree pra vender a preço de banana).
Eu disse preço de banana? Gente, nunca vi um lugar pra banana ser tão cara como aqui. Na promoção é AUD 1,70 o quilo.
É, meus amigos, tão pensando que a vida aqui é melhor por causa disso tudo que eu contei? Então vai pagar 8 reais em 5 bananas.
(Eu podia ter aprendido com meus pais, que criam lógicas para guardas as coisas e nunca demoram mais de 20 segundos pra achar algo, mas toda vez que eu crio uma lógica, por exemplo, para guardar a chave na mochila, no dia seguinte eu me pergunto: "Que lógica sem lógica foi essa que eu criei? Vou mudar, que faz mais sentido" - e isso vira um ciclo sem fim e eu nunca sei onde está a chave)
Mas aí, eis que chega um simpático senhor, andando de mãos dadas com sua simpática esposa e eles sorriem pra mim
(Na Austrália todo mundo sorri pra todo mundo o tempo todo. Não me pergunte porquê. Mas eu adoro. Quando eu destranco a porta da minha casa, de manhã, eu já começo a sorrir. E só paro à noite, quando vou dormir. Dizem que ajuda a retardar o envelhecimento da pele).
Mas então, o véio chegou e ABRIU O PORTÃO PRA MIM. COM A CHAVE DELE.
hahahaha
Gente! Pensa! No Brasil, você abrindo a porta pra um estranho sem chave entrar na garagem do seu prédio!
hahahaha
(Eu disse que na Austrália todo mundo sorri, mas foi um exagero. Eu nunca fui mais de 200km distante de Brisbane, capital de Queensland. Pode ser que tenha algum lugar em que eles não sorriem).
Aí eu comecei a pensar naquela frase que ouço muito no Brasil, de que estrangeiro é muito ingênuo. E pensei: "como eu queria!". Como eu queria ser uma ingênua cidadã do primeiro mundo a ponto de não ver nenhum problema em abrir o portão da minha casa para um estranho.
Contei isso pro meu gerente e ele me falou do dia em que comprou um colchão de segunda mão e, quando foi buscar, o cara disse, pelo telefone: "Eu não estou em casa, mas faz o seguinte, entra pelo corredor, vai até o final e abre a porta dos fundos que está destrancada. É só entrar e pegar.
hahahaha
Gente! Pensa!
Ele disse que tava esperando alguém ligar pra polícia pra avisar que a casa estava sendo invadida. Bendita ingenuidade é essa de ver alguém entrar na casa do seu vizinho e a última coisa que você vai pensar é "esse cara vai roubar".
(A propósito, era um colchão de criança, pelo qual ele pagou CINCO DOLÁRES. Porque aqui eles usam um cadin e botam no gumtree pra vender a preço de banana).
Eu disse preço de banana? Gente, nunca vi um lugar pra banana ser tão cara como aqui. Na promoção é AUD 1,70 o quilo.
É, meus amigos, tão pensando que a vida aqui é melhor por causa disso tudo que eu contei? Então vai pagar 8 reais em 5 bananas.
Assinar:
Postagens (Atom)


