quarta-feira, 22 de maio de 2019

Arrecife, gente!

Desde a Grécia, já estivemos em Catania, Salerno, Portoferraio, Livorno (de onde se vai à Pisa) e Brindisi, na Italia. Passamos mais duas vezes pela chatíssima Marseille, voltamos à Malta, estivemos na Albania e na FOFÍSSIMA Kotor, em Montenegro, onde eu passaria facilmente muito mais tempo. Kotor é legal o suficiente pra morar no meu coração. Passamos também por Portugal, em Funchal, na Ilha da Madeira, onde metade do crew disse que ficaria pra morar, Mahon, na ilha de Menorca e Santa Cruz de Tenerife ambas na Espanha.

E por fim, ainda na Espanha, Arrecife.

E, meus amigos, é sobre isso que precisamos falar.

Mas como falar, né? Dessas coisas que vem do coração.

Eu não tive tempo, nem de longe, de conhecer direito o lugar. E esse é um daqueles portos que, infelizmente, passamos uma única vez durante todo o contrato.
É uma ilha. E você sabe, né? Difícil resistir a uma ilha...

Dos quatro fortes de Lanzarote, dois estão em Arrecife. Um é um museu. Aí você pensa comigo: um museu, de frente pro mar, nas ilhas canarias, com um gentil recepcionista na porta, num dia quente. É alegria pura.
Eles se orgulham de ser uma ilha vulcanica, de seus 25 milhoes de anos de formação geográfica, de seus fortes datados do século 6 e tudo com razão.

No meio da cidade tem um canalzinho fofíssimo, com barquinhos pequeninos, parece que foi montado pra ser cenário. Nos arredores, o mar muda de cor o tempo todo, vários tons de azul e verde que devem ser pra combinar com os olhos de todos os garçons lindos que trabalham nas lanchonetes baratíssimas comparadas a qualquer outra coisa na Europa.

Tem loja de tudo, tem ruas e ruas fechadas pra pedestres e é tudo azul e branco, tipo a Grécia mesmo. É limpo e as pessoas são muito queridas.

Curioso também que eu estava escrevendo isso e, do nada, apareceu uma passageira francesa aqui na loja e começou a falar inglês comigo. Ela disse: "acabamos de visitar meu porto preferido nesse cruzeiro".
O meu também, madame! O que você fez lá fora?
E ela me disse que foi a essa espécie de parque com restos vulcânicos diferente de tudo que ela já viu na vida, lindo e que a sensação era de que ela estava pisando na Lua.

Meu chefe também me contou que foi passear com um amigo que o levou pra um lado da ilha de praias lindissimas que ele ainda nao tinha visitado.


Aqui também se anda de camelos, coisa que eu também nao vi pessoalmente.

Só por essas informações você já pode ir imaginando o quanto de lindo não há para ver e o quanto eu preciso voltar aqui um dia, de férias, com tempo.

Eu queria postar fotos, mas não consigo porque não trouxe laptop e do celular não dá pra postar. Mas você pode ver meu instagram ou jogar no Google imagens mesmo. E já começar a planejar as próximas férias. E me chamar.

sábado, 18 de maio de 2019

Achei um francês legal

Tem esse sujeito que está andando pelo navio com essa menininha mais gracinha do mundo.
Ela passa, todo mundo se derrete.
Hoje ele entrou na loja sozinho e eu nem percebi que era ele. Ele veio olhar a mesa de Swarovski e eu perguntei se ele estava procurando presente pra alguém:

- Pra minha filhinha,  mas ela é muito pequena pra usar isso

- Hum, se bem que eu tenho um brinco pra criança. Ela tem orelha furada?

- Não. Ela é muito ativa. Pode se machucar.

Aí eu já me derreti toda, porque Freud explica,  né? Meu pai tomou a mesma decisão pra minha vida.
(Só não contei pro cliente que, só de raiva, quando fiz 13 anos, fui lá e fiz 6 furos e 2 piercings)

- Quantos anos ela tem?

- 4

- Ah! Ela está aqui com você! Claro! Me lembrei! Ela é Linda demais

- É. Vou comprar algo bem simples,  só mesmo pra ela lembrar que é especial.

Nesse momento, meio derretida que estava, inteira fiquei e quase me desfiz.

- Essa bolsinha aqui é uma mochila também.  As meninas costumam gostar. Só não sei se é muito grande

- Pode ser. Ou essa outra brilhante. Ela adora coisa que brilha. Deixa eu te mostrar esse vestido que ela escolheu

E me mostrou uma foto do vestido mais elegante que uma mocinha de 4 anos pode querer

- Mas então é ela que escolhe as proprias roupas?

- Mais ou menos. É que eu sou pai solteiro

Meu olhar de condolência ao viúvo,  que ele já deve estar tão acostumado que logo se explicou: Mas ela é adotada.

- Desculpa. Não sei se entendi direito. Você é solteiro e adotou uma criança?

- A minha casa é um abrigo pra crianças vítimas de violência doméstica. O governo pega elas e manda pra minha casa por duas ou três noites até resolver a situação

Nesse momento, caiu um cisco no meu olho.

- Ela foi pra uma casa, não deu certo, voltou pra minha. Foi pra um abrigo,  não deu certo, voltou e assim sucessivamente. Até que ficou 3 dias, 3 semanas, 3 meses e eu disse: "ok, me deem os documentos"

- Que coisa mais linda! (Meu olho encheu de água) Desculpa, mas eu vou chorar

Ele se emocionou junto, fez um sinal com a mão de "para com isso" e disse: - deixa eu te mostrar como ela é chique comendo. No vídeo ela comendo igual uma perua. Muito fofa e engraçada. Depois mostrou uma foto dela na área de crianças lá em cima. Comentei:

- Não vi muitas crianças nesse cruzeiro

- Nenhuma. Só ela.

- Ah, com quem ela vai brincar?

- Na verdade eu também sou uma criança. Só sou um pouco mais alto. Haha deixa eu ir checar se ela acordou.

- Haha. Vai lá! Que sorte a dela.

- Que sorte a minha!

Ele saiu e eu borrei toda minha maquiagem de tanto chorar.




terça-feira, 7 de maio de 2019

Fatos curiosos a bordo

Curiosidades 
Em tópicos 
Sobre um navio de cruzeiro:

- Às vezes, na maioria delas, em vez de cruzeiro, a gente devia chamar asilo
- Velhos são iguais crianças. Eles apertam o botão do brinquedo de M&Ms, e o M&M amarelo começa a tocar bateria e todo mundo para pra olhar. Os velhinhos que apertaram o botão morrem de vergonha e riem como se tivessem aprontado uma grande travessura
- TODOS os velhos peidam a vontade pelos corredores
- A maioria deles nem percebe que peidou. E quase todos usam aparelho de surdez
- Cheiro de peido de velho é uma puta sacanagem
- Em navio italiano sacanagem ou sacanear alguém é "break the balls", assim, em inglês. Eu nunca tinha ouvido essa expressão e depois descobri que é um traducão de uma gíria italiana: "rompere le palle"
- Onde já se viu traduzir gíria?
- Quem mais pede desconto e negocia até encher o saco é turco
- Quem compra sem olhar o preço é alemão 
- Quem reclama do preço é indiano
- Quem não compra é francês 
- Quem entra na loja e nunca mais sai pq não para de falar é brasileiro
- Uma heineken no bar de passageiros custa 6 euros. No crew bar custa 50 centavos de euro
- Um maço de Marlboro custa 1,80euro no crew bar
- Não pode beber na cabine, mas todo mundo bebe
- Não pode fumar na cabine mas todo mundo fuma
- Gilette raspa calo no pé 
- Se você colocar o salva vidas embaixo da ponta do colchão, vai estar sempre com o pé pra cima quando deitar
- Pé pra cima é mandatório em navio porque quase ninguém trabalha sentado
- Tem dias que eu fico 14 horas em pé
- Tem dias que não trabalho
- As únicas chances de você ter um dia off sendo trabalhador de navio são se você for artista ou vendedor da loja
- Eu não sou artista, mas queria ser
- Se fosse eu ia ser cantora de bossa nova no bar dançante
- A gente fica vendo as pessoas dançando e zoando que eles são surdos, porque se tem uma pessoa que dança fora do ritmo, é passageiro de navio
- Se o navio fizer dry dock, que é parar pra manutenção, algumas outras pessoas não trabalham, mas também provavelmente não vai ter luz ou banho quente
- Se você colocar o salva vidas embaixo do colchão e tiver que acordar pra uma emergência, pode ser que esqueça de pegar ele
- Tudo bem esquecer. Tem o suficiente de reserva em locais estratégicos 
- No caso de ter que abandonar o navio, você precisa de um salva-vidas, mesmo que seja um exímio nadador. A agua pode estar fria o suficiente pra você não conseguir nadar
- A agua vai estar fria a menos que você estiver aportado. Ao meio dia. No verão. No lado de baixo do equador
- Tem espaço pra todo mundo nos botes salva-vidas. Talvez você não tenha que encostar na água 
- Metade das pessoas que está lá pra te ajudar não sabe nadar
- Mas todos eles tiveram que pular na água, de 3 metros de altura, com um salva-vidas, pra poder ter o certificado que os permite trabalhar a bordo
- Tem duas coisas que nunca vão contar pro passageiro que está acontecendo a bordo, mas será anunciado em código no alto falante pra geral: ameaça de bomba e ataque de pirata
- Existe um remédio pra enjoo de mar que não dá sono
- Se o barco estiver balançando muito, você tem que comer mais e ingerir menos líquido
- Se você não beber 2 litros de agua por dia enquanto estiver vivendo numa lata no meio do mar com ar condicionado, sua boca e sua pele vão ressecar
- Dois litros de água no crew bar custa 35 centavos de euro
- Se você quiser agua sem pagar, dê esperanças a um oficial ou alguém da engenharia. Eles tem água de graça e vão deixar uma caixa dela na sua porta pra te agradar
- Nunca vai te faltar nada. Sempre vai ter alguém pra te dar o que você está precisando. De creme de cabelo à chocolate as 3 da manhã, passando por pijama e sabão em pó
- Dar. Não emprestar ou cobrar mais tarde
- É dando que se recebe
- No navio que eu trabalho não tem coca-cola. Só Pepsi
- Eu compro coca na rua
- Já tomei coca-cola de 8 países em 4 meses
- Só tomei metade da coca-cola que comprei. A outra metade eu dei pros outros
- Na França, uma caixa de queijo Camembert President custa 1,48 euros
- Não pode guardar comida na cabine
- Se você deixar  uma caixa de queijo Camembert President na cabine por dois dias, ela vai cheirar chulé
- Muito
- Na India, um pack de 6 latas de coca custa o equivalente a 9 reais
- O passageiro que reclama que está ouvindo as máquinas do navio está mentindo. Eu durmo literalmente em cima delas e bem abaixo deles e não ouço nada
- Quase nada
- Cada vez que ouço tenho um mini ataque cardíaco
- Navios são super seguros
- Ouvir Anunciação é ótimo pra saudade de casa
- O Oswaldo Montenegro tem uma versão pra O que será, do Chico, (à flor da pele), que todo mundo devia ouvir antes de morrer
- Aliás, o Oswaldo Montenegro tem um disco que ele só toca música do Chico. Acho que chama Seu Francisco
- Se eu encontrasse o gênio da lâmpada e tivesse apenas um pedido, eu ia pedir pra existir um disco do Oswaldo Montenegro cantando músicas do Chico Buarque
- Como esse disco já existe, tudo bem saber que gênio da lâmpada não existe
- Esse post não foi patrocinado pelo Oswaldo, mas eu ia adorar se ele lesse
- Eu acho que o Oswaldo Montenegro não pesquisa no Google sobre vida a bordo
- Quando a pessoa que divide cabine com você volta pra cabine porque o crewbar fechou, você tem que desligar a música.

domingo, 5 de maio de 2019

Grécia

Iraklion, Katakolon, Argostolion, Kalamata, Nafplion, Mykonos e Monemvasia. Esses foram os sete portos que paramos na Grécia.
Cada vez que eu paro num Porto eu jogo no Google: o que fazer em _______ em um dia. Em português mesmo. Porque quando mais de 200 milhoes de pessoas falam portugues, em pleno 2019, acredite, alguem ja foi pra lá e postou sobre. Seja lá onde for "lá".
Algumas vezes eu tô inspirada pra ir longe, outras tô mais cultural, outras, só quero mesmo sentar num café e usar o wifi. Especialmente nos portos que se repetem. Ao todo, foram 9 dias na Grécia.
Sim. Eu passei 9 dias na Grécia hahaha. Dá pra acreditar? E cada vez que eles falavam entre eles eu pensava: que é isso mano? Tá falando grego?

E é início de primavera. Então eu não conheci a Grécia paraíso do verão. Mas eu vou te falar o que conheci.
Imagina um sonho. Em cores. Ou filme de fotografia bonita. Onde a sensação é paz.
É isso. Temperatura amena. Nem muito quente, nem muito frio. Quando venta, venta de verdade. Tipo, segura pra não voar. Uma laranjeira em cada esquina. Muita flor. Não sei dizer se é porque são pontos turísticos ou se é porque essa é a relação dos gregos com a natureza, mas haja flor bonita no caminho. E o verde da grama é um verde real. Daqueles que te faz feliz só de olhar. E olha que nem sou tão fã de verde. (Convenhamos, azul é mais bonito).
As pessoas, nem sei te dizer. Não são super bonitas, mas também não são feias. Não são tão legais, mas também não são franceses.

- Francês é o adjetivo que uso agora para definir uma pessoa chata, grossa, egoísta, rude, esnobe, totalmente sem graça, cagadora de regra. Estamos fazendo 42 dias de viagens EXCLUSIVAMENTE com franceses então, accredite que sei o que estou falando -

Mas enfim, gente não é o forte da Grécia. Natureza é! Até o mar é mais bonito lá. E é limpo e organizado. Eu estava esperando visitar um tipo de império falido, mas eles estão super bem, obrigada.

Em Iraklion (Heraklion em português), na Ilha de Creta, carecemos de bons sapatos. É super agradavel pra andar o dia todo. Até a ponta do forte ou subindo as ruas exclusivas de pedestres. La tem correios de facil acesso. O que é raro. E vitrines de doces e queijos maaaaravilhosas. Tem um monte de museus, mas eu não entrei em nenhum. E tem um monte de ruela pra se perder e de repente dar de cara com uma loja de discos de vinyl especializada em música grega, com uns tio véio sentado lá dentro, trocando ideia. Fui andando aleatoriamente, apenas seguindo meu querido guia, o fotógrafo Ovidiu, que é romeno, não fala portugues, mas lê meu blog. A vida era muito mais fácil quando ele estava por perto e sabia a temperatura, a historia do lugar e que ônibus pegar. Agora tenho que me virar sozinha. Isso é tão chato e deprê que, da segunda vez que fomos lá, nem desci do navio.


Katakolon, que é o nome da cidade e da ilha, é onde o pessoal vai pra cidade de olimpia, ver as ruínas da primeira sede das olímpiadas. Eu não fui pq é longe. Custa caro, gasta muito tempo e, cá entre nós, chega uma hora que ruína cansa e você pensa "ah, to de boas de ficar olhando pra resto de pedra velha". Mas lá, alem de tooooodos os restaurantes e bares na beira do mar e das fofíssimas quadras de lojinhas, tem um trenzinho que é demais! Te leva pros fundos da ilha, pro topo do morro, você vê as casinhas e fazendinhas dos locais, visita uma vinícula em que a dona te recebe alcoolizada e uma praia do outro lado da ilha que eu nao lembro o nome, talvez St Andres. O maquinista do trenzinho se apaixonou pela minha amiga chinesa que trabalhava na loja comigo (e com quem eu ia começar a dividir a cabine se ela nao tivesse sido transferida pra outro navio) e parou aleatoriamente a viagem duas vezes. Uma pra pegar flores pra ela e outra pra pegar a planta com a qual eles fazem aquela coroa das deusas gregas - pra fazer uma pra ela. No fim, eles se abraçaram, conversaram com a ajuda de um terceiro elemento que falava Ingles e grego e ele Prometheus (haha q trocadilho maravilhoso) esperar até que um dia, um navio que ela trabalhe, passe lá de novo.

Argostolion, que fica na Kefalonia, é bem calminho e vazio nessa época do ano e, tirando uma visita a um rio dentro de uma caverna, (que, de novo, é longe e caro) não tem muitas atrações. Cafés e lojinhas, como o habitual. Mas tem essa pontezinha apenas para pedestres, que deve ter mais ou menos 1,5km de extensão que é a coisa mais simplesmente sensacional que eu adorei tanto. Estávamos andando eu e Anju, minha amiga do spa, das Ilhas Mauricio. A paisagem é qualquer coisa de sensacional. A montanha na medida de altura e cor perfeita, o rio calmíssimo (trazendo alívio pros dias de mar MUITO agitado que mais parecia que a gente tava numa maquina de lavar do que num cruzeiro) e vários bichinhos. Passou uma tartaruga gigante bem do nosso lado e eu falei pra Anju "joga um morango pra ela voltar". O morango ficou lá a deriva e a tartaruga continuou o caminho dela, toda plena, ignorando nossa tentativa de alimentá-la. "Você me fez desperdiçar um morango pra nada", reclamou Anju que é a pessoa mais engraçada a bordo. E seguimos nosso caminho, ida e volta pela ponte, comendo morangos frescos, observando a perfeição e a calma da natureza e seguindo nosso papo profundo sobre amor e a estranha forma que homens e mulheres se relacionam amorosamente. É mais fácil e prazeroso ter um coração partido com esse visual ao fundo.

Kalamata, também em Katakolon, é uma cidade muuuuito legal. Tem uma praça gigante, cheia de lojas e ruas saindo dela, todas fechadas pra carros, cheio de gente - mesmo sendo um dia frio. Tem algo de diferente em Kalamata. Todas as outras cidades da Grécia que paramos pareciam um pequeno Porto, numa pequena Ilha, de onde se vê o mar de qualquer lugar. Kalamata parece cidade grande, o mar se perde da vista e, diferente dos outros portos, muita gente jovem. Nesse eu saí sozinha então, não tenho nenhuma história boa pra contar sobre um dos malucos que trabalham comigo. (Mentira, eu falei um tempão com a Layze, que Mora la na Nova Zelandia e um tempão com o Bruno, lá no Brasil)

Depois aportamos em Náfplion, do outro lado da ilha, que eu li em muitos blogs que era um dos lugares imperdíveis da Grécia. Bom, talvez seja mesmo. É uma mistura de todos. Desde as ruas estreitas até as praças fechadas pra carros, muitas lojinhas, um castelo/forte, flores, comida grega e italiana, gente feliz, vista pro mar. Comi moussaka, fui obrigada a sentar com a colega de trabalho que nao gosto - mas que ja foi desembarcada - mas, por outro lado, sentei também com Marco, que os leitores desse blog já conhecem, o pizzaiolo, que sempre paga minha conta Haha.

Mykonos, nao tem nem o que falar né, minha gente? A ilhota isolada é maravilhosa. Diferente de tudo que já vi. O chão e as casas são branquinhos, as ruas estreitinhas, as janelas e portas azuis ou verdes e as flores todas coloridas. Sentamos num restaurante com atendentes que falavam todas as línguas da nossa mesa, exceto sérvio, claro, pobre Vesna, minha cabinmate que raríssimas vezes encontra alguém que fala. O barman era português. Perguntei como faz pra morar na Grécia e ele disse "casa com um grego" hahaha. A dona do restaurante me falava dos apuros de morar numa ilha e eu disse "eu sei, eu sei", com meu estômago dando pontadas só de lembrar dos apertos de Noronha. Depois nos perdemos propositadamente e procurando o caminho de volta pro mar chegamos ao fim de uma rua que tinha um restaurante de frente pro mar - literalmente. Se vc sentar na ultima almofada e se desequilibrar, cai na água. Na belíssima água do mar grego.

 Infelizmente, nenhum dia na Grécia foi quente o suficiente pra entrar no mar :,-(
Não que eu esteja reclamando, mas a gente aqui no navio fica meio esnobe mesmo. Hoje, por exemplo, escrevo de Livorno, na Toscana, que tem um trem que chega em Pisa em 20 minutos, mas tá 9 graus e chovendo sem parar então os meninos da fotografia diziam "Pobre Kelvish, vai ter que sair pra fotografar a excursão de Pisa". Você pode imaginar? Reclamar que seu trabalho é ir pra Pisa? Tipo eu achando ruim que fui paga pra ir a grecia mas não pude nadar hahaha.

Por último e não menos importante (muito pelo contrário) fomos a Monemvasia, uma cidade murada, fortaleza do século 6. Eu já estive em algumas cidades muradas na vida, na Italia, na Espanha e em Malta, mas nada se compara a Monemvasia. Pra mim, esse sim é o lugar mais imperdível da Grécia - ao menos do que vi - com as ruelinhas e escadinhas que levam pro alto, muito alto. O ponto mais alto está 1.590 metros acima do nível do mar. Quando cheguei na metade, tirei umas fotos e pensei "tá bom, desço daqui", mas tive a infelicidade de esbarrar em Vincenzo no caminho da volta. Nosso querido enfermeiro é um desses viciados em caminhadas. As férias dele sempre incluem trackings de 7 dias ou mais. Ele já fez, por exemplo, o caminho de compostela. Ele disse pra eu confiar nele, que ele sabe subir pedra, eu sei que ele não é de falar muito - e aquele lugar pede silêncio - então aceitei e fui. Ainda bem! Que caminhada! Que vista! Que mar! Que natureza! Descemos e sentamos pra comer algo. Comemos um monte de porções de comidas locais. Eu bebi meio litro de cerveja e ele bebeu um litro de vinho. Toda aquela natureza, todo aquele álcool nos deixou muito emotivos. Esses italianos maravilhosos que choram e abrem o coração. (Depois da minha temporada de quase 3 anos com aqueles congelantes australianos, essa overdose de italianos dramáticos é tipo uma benção). Conversamos sobre o céu, o mar, as férias, os projetos futuros e, aos prantos, ele me contou da culpa que sente pela morte do pai, porque ele é enfermeiro e devia ter feito escolhas melhores. Imagina se ele tem culpa! E o dia que fazia 2 anos da morte do pai foi o dia que tiraram ele da cama mais cedo aqui pra ajudar um hóspede que morreu à bordo (nada demais. Ele tinha 94 anos).

Enfim. A Grécia é maravilhosa. Nas companhias certas, melhor ainda. Vai lá! E vai no meu insta também, pra ver as fotos. @tpacheco1912