quinta-feira, 28 de abril de 2016

Cheers

Cheers, como todos nós sabemos, é SAÚDE, pra saudar o brinde. O mesmo que "tim tim".

Hoje, estava eu no Border office, o serviço de imigração, por volta de 4 da tarde, quando um sujeito terminou de obter uma informação e disse ao funcionário: "Thanks". Ao que o funcionário respondeu "cheers".

Tomei um susto paralizante de 2 segundos ao imaginar o funcionário do escritório de visto e cidadania tomando uma com um imigrante no meio da tarde. Mas logo lembrei da aula de vocabulário em que o professor disse que "cheers" também é usado para dizer "obrigado".

A propósito, falando em cheers e australianos, todo recibo de supermercado te dá algum tipo de desconto para uma outra compra em um outro lugar. Sempre vai ser bebida alcoólica. Isso não é um país, isso é um pai!


quarta-feira, 27 de abril de 2016

Tiazinha

Estou pensando em mudar minha descrição aqui no blog. De "brasileira estudando em em Brisbane" para "viajante brasileira estudando em Brisbane". Explico: acho que estou meio atrasada no tempo.

Só eu naquela escola de inglês nasci em 1982 (na 'escolinha', como bem chama minha cocunhada Mariana). Meus coleguinhas de sala não sabem quem são os Rolling Stones, nunca assistiram Trainspotting e não ouviram falar em Stanley Kubrick. Não fossem os professores da minha idade, eu não teria com quem conversar.

E o problema maior de andar com a turma que nasceu em 1996 é que eles não entendem as minhas piadas. Aí fica difícil ser feliz. E eu juro que o problema não é a qualidade das piadas. Minha mãe na homestay, (que é de 78) e meus teachers dão risada! hahaha.

Mas eu super entendo. Cultura geral se adquire com o tempo e, aos 20 anos (sim, você que está lendo aqui também já pode se sentir velho - alguém de 1996 já tem 20 anos) tem outros interesses na vida, além de filmes do século passado. Eles tem, por exemplo, que ir pra balada.

A errada sou eu. Eu que estou no lugar certo, porém na hora errada. É como da vez que fui participar da manifestação na câmara dos vereadores em BH. Só eu lá tinha mais de 22 anos. E, você sabe, ninguém sabe tanto das coisas quanto as pessoas de 20 anos. Então, melhor não discutir. Nem julgar. Seja na câmara dos vereadores de BH ou observando os brasileirinhos e europeuzinhos na sala de aula de inglês, a melhor opção é relaxar e se divertir. No fim, sempre sai alguma coisa legal.

Anyway, se você está na idade tiazinha, como eu, e pensando em fazer um curso de línguas em outro país, não desanime. Você vai precisar dele pro visto de qualquer forma, mas você não precisa tentar fazer amizade lá. Sempre haverá a biblioteca e seus grupos de conversação - evento frequentado por pessoas que tem visto de trabalho e estão interessadas em treinar o conhecimento da língua. É de lá que você sai com os melhores contatos no Wtsapp. #FicaADica ;-)

domingo, 24 de abril de 2016

Mais sobre Brisbane

Brisbane é a única cidade da Austrália que tem uma City Hall. Todas as outras cidades tem apenas Town Halls. Sabe o que isso significa? Nem eu. Mas descobri essa informação quando estive lá, na última quinta-feira.
O imponente prédio da prefeitura também abriga, no terceiro e último andar, o Museum of Brisbane, com entrada franca e direito a subir na clock tower, uma das atrações da cidade, o big ben deles (um tantinho menor que o original hehe).
Eu tive muita sorte porque estava dentro relógio às 3 da tarde. Vi a máquina funcionando e o engenho rodando para bater o sino. Uma lágrima de emoção escorreu discretamente do meu olho. De dentro do relógio é onde menos se ouve as badaladas. Da minha sala de aula, por exemplo, dá pra ouvir muito mais alto do que de dentro da tower.

Clock Tower vista de fora

Vista de Brisbane, de dentro da Clock Tower
























Mas voltando ao fato de o museu estar lá em cima, te pergunto: Não é genial? Você pisa na cabeça do prefeito pra conhecer a história da cidade. E lembrar quem é que manda na bagaça. E, na visita ao museu, fica muito claro que quem manda aqui é o rio.


A exibição sobre o rio está lá ocupando duas salas desde 2013. Não sei até quando. Mas esse trecho define bem a importância nele e o que ele significa hoje em dia:

"By the 1970s, development threatened to overwhelm the Brisbane River. Since then, the city renewed its efforts to reconcile urban growth with the river’s natural beauty. In part the effort was remedial. Toxic industries were removed, factories recast as theatres and bars, and parks and walkways set along the river’s banks. Recreation changed from bathing and fishing, to appreciating the river from a restaurant or a riverside park. In part the effort was romantic. The river was to be at the heart of defining the city’s identity and lifestyle".

Saiba mais sobre o museu e o river clicando aqui: http://www.museumofbrisbane.com.au/whats-on/the-river

Como em qualquer cidade, o rio é a razão e o local para tudo ter começado. O nome dele é BRISBANE.

Quinze pontes cortam o rio Brisbane em toda sua extensão ao longo da cidade. Lá no museu tem essa seleção supimpa de imagens e fotos da cidade e, é claro, o curso do rio:


1888

1940

1980

2013


O museu ainda traz fatos curiosos como:

- John Oxley (explorador da marinha britânica) explorou e nomeu o rio de Brisbane em 1823;

- Em 1842 foi fundada a cidade de Brisbane;

- Em 1962 rolou o primeiro Warana Festival, super agito da cidade que rola até hoje, agora sob o nome de Brisbane Festival  (Saiba mais:
http://www.brisbanefestival.com.au/about/history)

- Em 1988, a cidade recebeu a Expo 88 e mais de 18 milhões de pessoas durante 6 meses. O espaço para alocar esse evento virou o que hoje é South Bank Parklands <3

- Brisbane é o maior município da Austrália: 185 bairros, 4 ilhas, ocupa mais de 1340 km²  tem mais de 1,1 milhão de moradores.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

CAFÉ

Aqui na casa de família onde moro tenho direito a café da manhã e janta. O jantar é com eles, na sala. O café é sozinha, aqui em cima, onde tenho uma geladeira, uma torradeira e afins.

E uma bagaça de ferver água.

E CAFÉ SOLÚVEL.

Duas vezes, quando eu estava lá embaixo, Michelle me ofereceu café.

SOLÚVEL.

Cansada dessa palhaçada, porque sou uma pessoa que gosta de CAFÉ, decidi ir além. Tem uma opção no seven eleven, de regular long black por 1 dólar. É aceitável, melhor que o solúvel, mas, ainda assim, resolvi entrar numa cafeteria com cara de lugar caro.

Pedi o long black, (que consiste em café e água, porém, feitos na máquina, mas nada de leite, machiatto, capucinno, whatever). QUATRO DÓLARES E CINQUENTA CENTAVOS. O atendimento é personalizado, as meninas são gentis, a máquina é linda e tem cara de ajustada e todo dia tem um pó especial. Depois de pedir e pagar, enquanto esperava, resolvi checar as informações do café do dia.

CARMO DE MINAS.

Eu viajo até a Austrália, pago AU$ 4,50 num café e a bagaça é do sul de Minas.

Passei no mercado, comprei outra marca de café solúvel, por AU$ 4,30 e resolvi parar de criar encrenca interna por causa disso.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Primeiras impressões

Eu li bastante sobre Brisbane, vi vídeos, blogs etc e concluí: é uma cidade pequena, porém, com boas oportunidades, bons museus, boas bibliotecas e boas formas de diversão. Eu sabia que Brisbane era a capital do estado de Queensland e a terceira maior cidade da Austrália. Mas, convenhamos, a Astrália tem de habitantes, o mesmo que a grande São Paulo. Então confesso que cheguei aqui imaginando uma cidade do interior de São Paulo, porém bem organizada.

Hahahaha. Que tolinha eu. Hoje faz 5 dias que cheguei e, como ainda tenho muito tempo pela frente, estou mais calminha no que diz respeito a sair explorando a cidade. Mas já posso falar do que já vi.

A primeira coisa que me confundiu foi o fato de o aeroporto ser na beira do mar. Tecnicamente, Brisbane não tem mar. Mas depois, andando de train, dando uma olhadinha no mapa e conversando com algumas pessoas, entendi que eles não fazem muita separação entre as cidades pelo fato de ser tudo muito perto e de fácil acesso, tipo ir pra Contagem ou Diadema, sabe? Só que aqui, você vai pra praia <3.
- Caso queira ver o mapa do train que leva lá no mar, clique aqui. (O azul claro é o mar, a estação Brisbane central é a mais perto da minha casa)

Desci do avião, logo encontrei minha amiga Roberta, que foi me buscar no aeroporto com meu novo chip de celular e seu namorado australiano, Chris, que fala um monte de gíria, e eu fui só fingindo que tava entendendo o que ele estava falando. (Mentira, isso foi só uma piada, eu ficava falando "sorry, what does it means?") O cara usa termos como "heaps" para dizer "lots of". Mas ele já está devidamente abrasileirado pela Roberta e dá abraços, fala besteira e é um querido tentando agradar a gente. Até me pagou uma cerveja australiana! Isso mesmo. Desci do aeroporto e fui pro bar. Quando te disseram que australianos bebem muito, acredite!

Mas antes pude ver a chuva. Sacanagem, né? Chuviscar no dia que você chega na AUSTRALIA! Ainda se fosse a Inglaterra... Cadê os surfistas, o sol, os coqueiros? Não. Chuva! Mas foi só um pouquinho. Quando chegamos ao estacionamento, Roberta disse "pode ir na frente" e lá fui eu. Pro lado do motorista. Demora até você se acostumar com a ideia de que aqui é mão inglesa. Vira e mexe eu olho para um carro e penso "Cadê o motorista? Ah! Do outro lado".

Primeiro vi ruas com construções espaçadas, depois vi pequenos prédios baixinhos, depois comecei a avistar de longe os prédios altos, aí os perdi de vista, de repente era uma ponte e o Brisbane River embaixo, depois um parque, e outro parque, e muitas flores, e bares e lá estávamos: South Bank. A Vila Madalena, a Savassi de Brisbane, porém, com um PUTA parque, um BAITA rio, MEGA limpo, CHEIO de flores e atrações e, atrás de tudo isso, um centro de artes cheio de teatros. E em volta de tudo isso, uma ciclovia mara. Must love Brisbane <3


Demos uma volta e sentamos para a cerveja local, Great Northern. Depois uma volta de carro pelo centro - que tem até um Cassino (já me vejo apostando a alma) - e me deixaram em casa. Voltei ao centro no dia seguinte, com minha mãe Michelle (vai que alguém acha que tô falando da minha mãe Rose) e ela me ensinou a lógica do centro, que eles chamam City (eu moro em spring hill, 6 minutos de distância da city. A pé). Para não se perder na city, tudo o que você precisa saber é um pouco da história da Inglaterra:
Ann, Adelaide, Queen, Magaret e Alice cruzam a Edward.

Também já tive a oportunidade de dar umas voltas de carro com a família local e, quanto mais eu ando por Brisbane, menos eu entendo a arquitetura dessa cidade. Eu já estive em muitas cidades. Acredite em mim: muitas é MUITAS. E eu não sei com o que comparar Brisbane. Tem um prédio alto, aí tem um baixo, aí tem um prédio gordo, aí um tem um fininho. De repente, uma mega construção de 1860, encostada num projeto de 2015. Aí é casa, eis que vira igreja, lá está a biblioteca e um prédio de apartamentos e uma super garagem subsolo de bikes.

Na ausência de palavras para descrever, resolvi colocar umas fotos para que vocês tirem suas próprias conclusões. Reparei que no Museu de Brisbane, que fica no mesmo prédio da prefeitura e tem entrada gratuita, há uma exibição especial sobre arquitetura. Vou lá amanhã. Se encontrar alguma explicação, volto pra contar.






Um parque em cada esquina. Acredite!


Particularidades de um parquinho de esquina


O parquinho de esquina da minha casa

Minha primeira rua em Brisbane <3

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Na igreja batista

Eu não sou exatamente uma pessoa que frequenta a igreja. Na verdade, a última vez que entrei em uma por livre e espontânea vontade, foi a católica de São Judas, na qual fiz minha primeira comunhão, lá em São Paulo. Eu tinha 14 anos.
Não diria que entrei para rezar. Eu entrei porque estava muito puta com uma injustiça que havia presenciado e dei a ordem: Deus, Jesus, são Judas ou whatever, desce aqui e me explica isso, caso contrário, nunca mais acredito em vocês.
...
Nada.
Resolvi dar uma segunda chance: Tá, sei que não rola de sair aparecendo à toa, então só manda um sinal pra explicar.
...
Nada.

Eu ofereci um acordo. Eles não toparam, nunca mais voltei. Um dia meu pai me levou no Vaticano, lá na Itália. Aí eu entendi de vez o que era a igreja.
Mas ainda vou a casamentos, rezo e choro na cerimônia e peço a Deus pra abençoar. E também fico toda feliz quando ligo o rádio às 18h e tá tocando Ave Maria.

Enfim, voltando ao tema do blog, Brisbane, aqui na casa em que moro, a família é batista. Eles saíram da igreja que costumavam frequentar por "questões políticas" (não entraram no mérito da questão) e estão procurando outra. Todo domingo eles vão a uma diferente e, segundo minha mãe local (Michelle), quando for o lugar o certo, ela vai saber. Embora a espera a ande deixando ansiosa.

Eu, que não sou boba nem nada, aceitei o convite para essa busca. Hello! Presta atenção na oportunidade! Uma pessoa que não frequenta igreja de repente tá numa batista da Austrália. É muito surreal!

Eis que lá estava eu, em Moore Park Baptist Church. E quando chegamos, o pessoal da banda ainda estava passando o som.
Com um telão atrás!
Com as letras das músicas!
Eu virei pra Michelle e disse: Subtitles will be perfect! E ela riu da minha cara, claro.

Aí chegou aquele querido do pastor John Moore e, pra facilitar ainda mais a minha vida, fez um monte de slide com os trechos da Bíblia que estava citando. Foi só alegria! A única palavra que eu não conhecia era "tithe". Discretamente puxei meu celular e joguei no google tradutor: "dízimo".

Gente, fica a dica: missa é muito mais fácil de entender do que filme ou teatro. Quer treinar inglês? Vá a missa!

Finalizada a cerimônia, hora do chá. Veio todo mundo em cima da gente porque éramos novos no pedaço. Uma véia muito louca do 1,80m veio em mim: "gente, é muito difícil eu achar mulher mais alta que eu, quer um chá?"
"Claro, querida" e lá fui eu tomar o chá, comer um bolinho e trocar uma ideia com a véia muito louca que não parece com nada que a gente conhece de personagens. Ela me fez comer um monte de bolo, contou do dia que em que esteve num treino de basquete masculino, me ensinou como lava a louça depois que toma o chá lá na igreja, me arrumou um apartamento pra morar e me apresentou uma amiga que tem tudo a ver comigo (na cabeça dela, que é uma véia louca). Foi divertidíssimo, apesar do fato de eu ter que ouvir, muitas vezes a frase que mais ouço por aqui: "Sorry, what´s your name again?"
Ninguém consegue falar Thaís. Meu nome pra eles é Táes e, ainda assim, eles esquecem. Mas tudo bem. Nunca mais vou ver essas pessoas na vida mesmo. hehehe.


P.S - Olha a rua FOFA em que a igreja fica localizada ( Taringa Parade, Indoooroopilly):


"Parade" é um tipo de via. Tem
"street", "avenue", "parade" etc

P.S 2 - Ainda não foi dessa vez que a família encontrou o lugar certo

sábado, 16 de abril de 2016

Magical Backyard

Estou hospedada numa casa de família.
Tem cachorro, vô, vó, pai, mãe e 4 filhos.
Jasmine tem 10 anos, Richard tem 8, Eloise tem 6 e Peter tem 3. "I´ts not píter. It´s píTÁR", ele insiste comigo. Aliás, Pitár é meu melhor professor. Tudo que eu falo com sotaque errado (ou americanizado) ele me corrige. Sempre com essa frase "It´s not bath, It´s bóf". Eu repito, ele fala de novo, eu repito de novo. Muito paciente e gentil esse meu professor de três anos de idade.

No momento em que cheguei pela primeira vez na porta da casa, eles chegaram ao mesmo tempo, vindo da rua. Os 4 correram ansiosos em minha direção. Eu, que quase não agarro crianças até amassar, tive que me conter pra não sair pegando nesse bando de loiro de olho azul mega fofo. (Na Australia você não pega nas pessoas. Entenda e aceite.)

A casa tem três andares, o terceiro é reservado aos dois estudantes da homestay. Eu e uma pessoa que deve chegar na próxima semana, que me parece, vai ser uma menina brasileira. A mãe subiu comigo para dar as instruções e as crianças vieram junto e ficaram rodeando. Ouvi as instruções, coloquei a mala no quarto, lavei a mão, tomei uma água e pronto. "Vamos brincar?". Lá fui eu.

Dei brinquedos do Brasil pra eles, eles me mostraram brinquedos deles e a primeira a estreitar os laços foi Eloise. Eloise é uma menininha de fala firme, bastante enérgica, cheia de histórias e um tanto possessiva em termos de atenção. Exatamente eu quando tinha a idade dela. Veio com Rupert, o urso que, ao apertar, diz coisas como "I love you". Ela também me mostrou as pedras que pegou para Richard - um colecionador de pedras. Foi a deixa para Richard se aproximar.

Menininho de sardinhas, fala baixa, tímido, carinhoso e dono de um humor muito específico e pontual. As qualidades de Ric são apenas para os atentos. Ele é mais de rodear e observar do que de falar. Mas quando ele olha pra você, de baixo pra cima, faz uma piada e ri tímido, prepare-se para derreter. E ele acaba entrando na brincadeira. Foi ele que decidiu me mostrar a varanda que dá pro quintal. E nesse momento, Jasmine sugeriu que fôssemos brincar na cama elástica.

Jasmine é a mais velha. Qualquer pessoa que conhece um irmão mais velho sabe como eles são. Mas, apesar desse peso, ela sabe se divertir. Botou todo mundo na cama elástica e começamos a pular. Até que ela caiu de mal jeito, foi parar no hospital, e só voltou tarde da noite, com o braço quebrado. Estamos dando atenção especial pra ela, mas ela anda bem triste :-(

E tem o pitár. Que fala mais que pobre na chuva. Se ninguém tá afim de conversar com ele, ele canta, ou começa a contar histórias para ele mesmo. Hahaha. E como os mais velhos acabam tirando ele das brincadeiras, ele tem mesmo que fazer isso. Mas ele é um amor. No segundo dia, no jantar, ele ficava me beijando e dizendo "Dad, I´m kissing her, do you know why? Because I love her". Hoje, no carro, ele me puxava pra trás e eu não alcançava ele e ele alegou: "mas se você não encostar em mim, não consigo te beijar!" Aí me beija e sai beijando a família toda <3.

Depois que Jasmine foi ao hospital e Peter tirado da brincadeira, Eloise e Richard foram me mostrar o resto do quintal, além da cama elástica: um banco de areia, as oito galinhas que eles criam para ter ovos e a casa de dois andares. Eloise é FISSURADA em animais. Ela entra no galinheiro (ela é pequenininha, cabe lá dentro), conversa com as galinhas, sai com elas debaixo do braço e te explica como lidar com elas.

Depois, subimos na casa e ela me mostrou suas asas e varinha de condão e avisou: Algo mágico acontece nesse quintal. Ainda não sabemos o que é e como, mas um dia saberemos!
"Sério?", perguntei, maravilhada. "Definitivamente tem algo mágico aqui", concordou Richard.

Estava escuro, subimos e, como o tema era magia, Richard pegou sua cartola e começou a fazer seus truques. E assim, durante 4 horas, eles me entretiveram da maneira que puderam, mostraram todas as habilidades e eu fiquei completamente apaixonada por eles!

Meu negócio nessa casa é acordar logo pra poder descer e brincar. E aprender coisas que a escola não vai me ensinar, ou você acha que vai rolar por lá alguma brincadeira que necessite da expressão "Ready, steady, go" ?

Aqui da janela do meu quarto tem vista para um pedaço da
magia que há no mundo

Dia 1 - BH - Brisbane

Todo mundo avisou: "prepare-se", "vai ser difícil", "o jet leg vai durar 3 semanas" e daí pra baixo.
Claro que não acreditei em ninguém. "Uns exagerados", pensei. "Não pode ser tão ruim".
Até que, no meio da viagem, entendi que já era dia onde eu estava indo, mas era noite pela janela do avião e já era ontem de onde eu tinha vindo, embora ainda fosse amanhã, para onde eu estava indo.
Como me disse alguém, que não lembro quem, "você dorme no avião e acorda no futuro".
Se existe uma forma de pagar pecado na vida, ela se chama "voo para Australia". Quando você já não aguenta mais, e decide ver quanto tempo falta, descobre que não foi nem a metade. Como disse um amigo que mora na Nova Zelândia: "Eu assisto três filmes, como, durmo e meia hora se passou".

Minha jornada foi a seguinte:
Qua 13/04 11:46 - Belo Horizonte (CNF) - São Paulo (GRU) (45 min de voo)
   
Qua 13/04 17:30 - São Paulo (GRU) -  Santiago (SCL) (4 horas de voo)
Aqui acontece o primeiro fuso-horário. Uma hora de diferença.

Qui 14/04 00:55 - Santiago (SCL) - Sydney (SYD) (9h + 3h30 horas de voo)
Aqui tem uma pegadinha. O voo não vai pra Sydney. Ele faz conexão em Auckland, na Nova Zelândia. 11 horas de diferença pro Brasil. Pra frente! Sim. É o dia seguinte. Você sabe que é dia 15, mas seu celular, setado pro Brasil, te jura que é dia 14. Pelo menos, você pode se divertir ao começar a perceber os indícios da colonização britânica ao procurar o tempo até abrir o portão do seu voo e a instrução é "relax", em vez de "faltam 3 horas".
Muita gente passa mal nesse voo. No meu foram três. Quando pousou, ninguém deveria se mexer até segunda ordem do comandante, porque os paramédicos precisavam entrar. (eu sou profissional em pegar voos que acordam passageiros no meio da noite perguntando se tem um médico à bordo).



Sex 15/04 11:35 - Sydney (SYD) -  Brisbane (BNE) (1 hora de voo)
Chegando em Sydney, como é a primeira cidade que você entra em seu país de destino final, você é obrigado a retirar sua mala e fazer a alfândega. Depois despacha as malas de novo, e pega um ônibus que te leva até o terminal doméstico. É aí que a gente pira. Depois de tanto tempo em avião fechado, em salas de aeroportos, e uma noite que nunca termina (acredite, é muito tempo de noite!) você vê o sol, anda de ônibus e sente cheiro de ar, daquele tipo que circula. O que vai acontecer com você eu não sei. Comigo, deu uma puta tontura.

P.S - A essa altura, você e aquelas centenas de pessoas já estão juntas viajando ha tanto tempo, que todo mundo já conversou. Quando chega em Sydney, as pessoas começam a se despedir. Eu, discreta que sou, já tinha contado pra meio voo - aussie side (a parte australiana) - que ia estudar em Brisbane por meses. Todos eles saíram do avião falando comigo. Eu sorri para todos e, tirando "good luck", não entendi bolhufas do que esses caras estavam falando. Aliás, na Austrália, não se entende bolhufas do que ninguém fala. Não sei que língua eles falam, mas não é inglês. "Não sei", por exemplo, em inglês, se diz I Don´t Know - ái dôn nôu. Em aussie eles dizem I die nuw - ái dái ní.
"Esperar", que em inglês se diz Wait - uêiti, em aussie se diz white - uáite, igual branco. Meu tio conseguiu desenhar esse me mandando esse link:


Entre esperas, embarques, desembarques, conexões e escalas, são 36 horas. Dentro do avião, sentadinho, igual bicho enjaulado, são quase 19 horas. É um martírio! Se você é uma pessoa alta, que não cabe em bancos de avião como eu, acredite em mim: você precisa do assento conforto - a primeira fila ou a saída de emergência. Pague por isso, implore por isso, dê um jeito. Mas acredite em mim!

Conforme orientado pela minha amiga, quando eram 5h da manhã em Brisbane - meu destino final - e eu ainda estava no avião, na Nova Zelândia (puta, essa porra é longe pra caralho), parei de dormir. Estava com sono, mas tentando ficar acordada, pra já ir ajustando o fuso.

Cheguei e, finalizada a viagem, já aqui em Brisbane, me mantive acordada até às 8 p.m, quando comecei a deixar de saber quem sou. Fui dormir. Acordei às 3 a.m, sem saber quem sou e onde estou. Dormi de novo, acordei 4h30 a.m, com fome. Dormi de novo, acordei 10 a.m. e fui curtir o dia.

No segundo dia, 3 da tarde me perguntaram se eu já tinha almoçado e eu percebi que não. Nove da noite, estava capotando de novo. Foi essa noite. Acordei 4 vezes. Na primeira, pra fazer xixi. Na segunda, porque estava com fome. Na terceira, porque alguém chamou meu nome sussurrando no meu ouvido, na quarta, porque tinha alguém mexendo no meu cabelo (e não tem ninguém no andar que eu moro, muito menos no meu quarto).

Hoje, acordei às 8 a.m, pra ir à missa (um capítulo a parte, pro próximo post) e agora, 1h30 p.m, estou morrendo de vontade de dormir.

Agora, meus amigos que tentaram me alertar, eu entendo e peço desculpas por não acreditar em vocês. Até vozes estou ouvindo e quase enlouquecendo. É, definitivamente, o jet leg mais louco que existe.

Amanhã tem o primeiro dia de aula. Espero estar bem hahaha.