terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Sim, você virá para a Austrália

Não é raro eu receber um inbox, wtsapp, até mensagem de Linkedin, de amigos, amigo de amigo e desconhecidos aleatórios perguntando sobre as condições de vida e estudo aqui na Austrália. Porque tem gente que tem a infeliz de ideia de olhar outra opção.

Gente, entendam uma coisa de uma vez por todas: A Austrália é o paraíso na terra. Literalmente. Oficialmente.

Não se enganem, não tem problema nenhum. Não incomoda. Podem perguntar à vontade e eu vou responder no maior amor. Um monte de gente me ajudou e me respondeu e me deu informações e assim é a vida, né? Todo mundo ajudando todo mundo <3

Mas pra facilitar, resolvi fazer esse post detalhando custos, benefícios etc.
A moral da história será: A austrália é a melhor opção. Ainda assim, se você quiser ler, segue:

Primeira coisa: Vá até o Youtube e procure pelo seriado "O Mundo segundo os Brasileiros" seguido da cidade que você quer saber como é a vida. Foi assim que eu escolhi Brisbane (mentira, não foi só assim. tinha um milhão de outras razões, inclusive uma melhor amiga de infância há 40km de distância o que, convenhamos, é bem seguro!)

1 - A Austrália é quente.
Eu não sei qual é a sua experiência com frio mas eu já passei algumas semanas no frio. Na Neve. No VÓRTEX POLAR, quando tinha FREEZING RAIN.
Não diga que você gosta de frio se você não conhece o frio. Não aceito. Eu tinha um amigo no Canadá que dizia "essa imagem que a gente tem, de que o inferno é vermelho e quente, é mentira. O inferno é o inverno no Canadá. Só pode ser coisa do capeta".
Frio faz as pessoas serem rudes, infelizes, se trancarem em casa. Calor faz as pessoas sorrirem sem motivo, andarem por aí saltitando e fazendo esportes, o que libera endorfina, que faz elas serem ainda mais felizes e pararem na rua pra te ajudar.

2 - Você pode trabalhar na Austrália
Estudantes podem trabalhar, por lei, 20 horas por semana. Aqui a gente trabalha por hora e o valor mínimo é 17.
Ou seja, se você trabalhar 20 horas por semana vai ganhar AUD 340 por semana

3 - A Austrália é um país justo
No meu condomínio tem piscina coberta e aquecida, piscina descoberta, jacuzzi e duas academias. Eu moro em frente a um dos parques mais bonitos da cidade e sim, o parque é a vista da minha varanda e eu moro no centro de tudo. Meu aluguel custa AUD 165 por semana.
Eu divido quarto com uma taiwanesa gente boa e moro em cima da central do trem, o que faz da minha janela a própria estação com todas as suas oito plataformas.
Do fundo do meu coração, caguei. Isso não me faz infeliz nem estressada. Mas se você quiser, existem outras opções. Antes eu morava num quarto só meu, num bairro lindo e silencioso e pagava AUD 150 por semana. Mas eu morava há 15 minutos de ônibus do centro, o que me custava AUD 7 por dia pra ir e voltar. Agora eu ando a pé ou de bike.

Fazendo as contas:

Aluguel: Entre AUD 125 e AUD 200 (dá pra morar onde eu moro por 125, mas tem que dividir quarto e banheiro com outros 3. da pra morar onde eu moro sozinho no quarto, mas tem que pagar 200 doleta por semana. It´s up to you) Esses valores incluem luz, água, eletricidade e internet. Na minha casa tb inclui Netflix.

Transporte: AUD 3.50 uma viagem.
Aqui tem ferry, onibus, trem... e tem zona. Zona 1, no centro, é mais barato, tipo 1,50 e zona 5, nos bairros afastados, é mais caro, tipo 4,80. Bota uma média de AUD 3,50 por viagem e você não vai se arrepender.
Você também pode comprar uma bike no gumtree por AUD 50 e virar uma pessoa fit. Aqui em Brisbane todo mundo respeita ciclista. Ninguém vai tentar te atropelar. A única pessoa que contestou essa minha opinião foi um amigo belga. Mas aí, não conta, né?

Comida: Eu não como fora. Muito raro. Custa AUD 25 uma refeição. Seja café da manhã, hamburguer ou pizza. Com AUD 25 eu somo mais 10, vou ao mercado e compro comida pra semana toda. Sim. Se você não quiser chocolate e salgadinho e souber cozinhar, você pode passar a semana bem alimentado e de forma saudável por 35.

Celular: AUD 30.
Eu tenho um plano de 30 dolares a cada 28 dias que me dá internet que nunca acabou, ligação internacional que nunca acabou e ligação local e SMS ilimitado.

Então vamos voltar ao começo:
Se você aluga um quarto por AUD 160 por semana, pega 10 busão por semana por AUD 35, paga celular por um mês valendo AUD 8 por semana e gasta AUD 35 de mercado, então sua vida custa : AUD 238 por semana
Se você trabalhar 20 horas por AUD 17, vai ganhar AUD 340 por semana.
Ou seja: você tem um lucro de AUD 102 pra fazer o que quiser POR SEMANA.
AUD 400 por mês.

Pode ir na hamburgueria, pode ir no pub pagar AUD 10 numa cerveja, ou na bottle shop pagar 16 no pack com 6, pode ir pra praia de trem por 12 dolares, pode comer bolo de banana por AUD 3,50 a fatia!

Você ainda pode aceitar um trampo no restaurante chinês e morrer de fome ao aceitar ganhar AUD 10 por hora;
Pode dar sorte e arrumar um trampo de cleaner no centro que paga 26 a hora;
Pode ignorar a lei e trabalhar mais de 20 horas por semana;
Pode se arriscar e trabalhar fingindo que o trabalho não existiu e receber dinheiro vivo;
Pode, como aconteceu comigo, trabalhar para uns paquistanês filho da puta que vão sugar teu sangue por 15 dias e não te pagar (mas eu já descobri como fazer paquistanês filho da puta ficar com medo e pagar. Se precisar, me chama que eu falo).

Enfim.
É assim que funciona.

Mas Brisbane é de graça.
Brisbane é feita pra andar.
Todos os museus tem entrada free.
Tem cinema no parque, yoga no parque, música no parque.
Tem parque pra caralho.
Tem o jardim botânico mais lindo do mundo (segundo o guia Thais Pacheco de viagens)
Tem um ferry gratuito pra ficar passeando no rio.

E tem um musical internacional por ano.

É... veja bem... Eu não diria que Brisbane é uma cidade super cultural. Galera aqui curte mais um esporte e tal. Não tem papo profundo por aqui.
Se você quer isso, vai pra Melbourne ou Sydney. Mas nessas cidades o custo de vida é mais alto. E o salário é o mesmo.

Então, atente-se ao detalhe: estou falando de Brisbane. Brisbane é uma cidade pequena, você cruza as pessoas na rua, você vai pedalando pra qualquer lugar. Mas tem arranha-céus, tem gente do mundo inteiro, restaurante do mundo inteiro, tem uma biblioteca maravilhosa em cada esquina. É uma cidade maaaaaaaaaarrrrraaaaaaa. Só não tem festival de cinema...
E saindo do centro, não tem nada aberto depois das 17h. N-A-D-A.
Em alguns bairros mais distantes, nem ônibus passa.
Mas tem a praia ali do lado!

That´s it! Please let me know if you have any questions :-)

P.S - Puta texto grande. Não vou revisar. Se vira pra entender

P.S 2 - Sobre como conseguir emprego, não há receita. Eu conheço gente que não fala inglês, trabalha de ajudante de cozinha e ganha bem. E conheço gente que sabe falar inglês, mas não sabe se portar, então não consegue nada. Conheço gente que deu sorte de estar no lugar certo na hora certa e gente que desistiu e foi embora da Austrália por não conseguir nada. Então, é a vida e suas decisões de se arriscar ou não.

P.S 3 - Você precisa de um visto de estudante pra estar aqui. Prepare-se para pagar escola. (ou casar, haha).

P.S 4 - A Austrália é longe. Muito longe. Cansa chegar, cansa voltar, ninguém vem te visitar, não dá pra ir pra casa e voltar. É longe. Tão longe que quando você chega precisa dormir 4 dias até entender que dia é hoje e que horas são.

P.S 5 - Eu sou garçonete. Mas conheço gente que trabalha como programador, publicitário, recepcionista, engenheiro. Ou seja, você pode ganhar mais que isso e viver outra realidade menos financeiramente regulada.




domingo, 30 de outubro de 2016

The six month Aussie Diet

Quer saber como perder 3 numerações de calça e 12 quilos em seis meses? Basta seguir essa maravilhosa dieta a qual fui submetida desde que cheguei na Austrália.


No car
(Eu não disse no carb. Os carboidratos vem depois. Eu disse no car.)
Na ausência de um carro e de amigos que o tenham, você não tem outra opção a não ser ANDAR. Ou pedalar, pros dias de preguiça de andar.

Seja curioso
Ao chegar em uma cidade nova, queira conhecê-la. Quanto mais curioso você for, mais longe irá. Quanto mais longe for, mais você vai andar e pedalar.

Morro acima
More no alto. Assim haverá uma escada no seu caminho e você terá que subir e descer todo dia. No primeiro dia você vai suar. No 30º vai subir pulando de dois em dois degraus.

Seja pobre
Estudante overseas desempregado não tem dinheiro. Estando nessa condição, quando você vê um combo do Mc Donalds ou KFC por 12 dólares, logo pensa: vou comer em 15 minutos e ficar com fome daqui duas horas. Com 12 dólares eu compro meio quilo de carne moída, 2 pacotes de macarrão e 2 latas de molho de tomate. E ainda sobra troco pra um kit kat.

Seja solitário
Não ter amigos é ótimo. Você aprender a lidar com a própria companhia, tem tempo de sobra pra treinar técnics de meditação (que posteriormente vão colaborar no auto controle na hora de comer) e estudar. Além do mais, não precisa ir pra balada, gastar com cerveja e chicken wings com chips.

Arrume um trampo
Não sou eu que vou ficar aqui generalizando as coisas, mas a verdade é que por um bom período, seu trampo, provavelmente, não vai ser sentado numa cadeira de escritório. E, aí, meu bem, você vai ver o que é emagrecer. Minhas amigas faxineiras sugerem faxina como um exercício, digo, emprego, mais completo para o corpo. Eu optei pela modalidade de garçonete e não tenho nada a reclamar. Longas caminhadas, muito agachamento pra pegar coisa no armário, braço definido pela bandeja pesada e bastante alongamento pra servir e limpar mesas. A limpeza do chão no fim da noite é ótima para os quadris, se feita na posição correta.

Lembre que se seu trabalho é casual
Depois que arrumar emprego e amigos, quando sair com eles, tome apenas uma cerveja. Cerveja engorda e seu trabalho é casual. Pode ser que semana que vem você não tenha dinheiro pra pagar o aluguel, então é melhor economizar na cerveja.




Doughnut com parcimônia
O donut da esquina é maravilhoso. Cheio de farinha branca, 100% coberto com açúcar e recheado de meio quilo de nutela. Mas custa 6 DÓLARES. Por isso, em 6 meses, eu só comi 3. O mesmo vale pro Mocha. Por que pagar 4 dólares num café misturado com chocolate e lactose se você pode tomar um litro do pretino básico no Seven Eleven por um dólar?


Chegando no platô
Passado tudo isso, você chega num ponto em que para de perder peso. O corpo já acostuma com a coisa toda e você resolve comprar umas cervejas e uns doritos pra assistir Netflix. Aí você se depara com os seguintes documentários:

- Fed up
- Hungry for change
- Bite size
- The Man Who Ate Himself To Death

Sem mencionar o Super Size Me que todo mundo já assistiu antes.


No dia seguinte você acorda pensando nisso tudo e vai procurar sobre açúcar e farinha na internet e acaba chegando a esse site: https://zerocarbzen.com/

Depois de passar três dias lendo tudo o que está lá e ainda clicando em todos os links, você acaba decidindo procurar algo em português e descobre ele, o lindo, maravilhoso, Deus no céu ele na Terra, Flavio Passos. Que te fala em jejum, em desencanar de frutas, garante que as verdades absolutas da nutrição são infundadas e desatualizadas. Fala que você não precisa comer de 3 em 3 horas e, gente, cá entre nós, o que ele falar eu vou obedecer.

                                                                      Quem não?

Enfim. Dissequei o site dele em diiiaaasss. Cliquei em todos os links, vídeos, referências, assisti os vídeos da semana da alimentação extraordinária e decidi acreditar nesses caras todos. Saí do platô e voltei a emagrecer e perder medidaaaassss.

Vontade de gastar todo meu suado (leia-se aqui, literalmente emagrecedor) salário em chocolate, macarrão e cerveja, eu tenho. De voltar a trabalhar como uma sedentária o dia inteiro com a bunda sentada na cadeira, também tenho. Só o carro que não faz falta. Prefiro a bike mesmo. Faça chuva ou faça sol. Mas, por enquanto, tô aguentando firme.

Uma dieta que reverte diabetes tipo 2 e não alimenta esses fdp que fazem a gente comer açúcar sem nenhuma necessidade, só mesmo pra eles lucrarem enquanto a gente adoece, me parece bem sensata de seguir.

Se der certo por mais tempo eu prometo escrever o livro do The Six Month Aussie Diet e enriquecer com a próxima dieta da moda ;-)



quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Eita que esse povo é muito doido (e alguns parênteses)

Ontem, quando eu estava chegando em casa, de bike, por voltas de 15h, eu parei na porta da garagem do meu prédio e comecei a procurar minha pequena chave na minha gigante e lotada mochila.

(Eu podia ter aprendido com meus pais, que criam lógicas para guardas as coisas e nunca demoram mais de 20 segundos pra achar algo, mas toda vez que eu crio uma lógica, por exemplo, para guardar a chave na mochila, no dia seguinte eu me pergunto: "Que lógica sem lógica foi essa que eu criei? Vou mudar, que faz mais sentido" - e isso vira um ciclo sem fim e eu nunca sei onde está a chave)

Mas aí, eis que chega um simpático senhor, andando de mãos dadas com sua simpática esposa e eles sorriem pra mim

(Na Austrália todo mundo sorri pra todo mundo o tempo todo. Não me pergunte porquê. Mas eu adoro. Quando eu destranco a porta da minha casa, de manhã, eu já começo a sorrir. E só paro à noite, quando vou dormir. Dizem que ajuda a retardar o envelhecimento da pele).

Mas então, o véio chegou e ABRIU O PORTÃO PRA MIM. COM A CHAVE DELE.
hahahaha
Gente! Pensa! No Brasil, você abrindo a porta pra um estranho sem chave entrar na garagem do seu prédio!
hahahaha

(Eu disse que na Austrália todo mundo sorri, mas foi um exagero. Eu nunca fui mais de 200km distante de Brisbane, capital de Queensland. Pode ser que tenha algum lugar em que eles não sorriem).

Aí eu comecei a pensar naquela frase que ouço muito no Brasil, de que estrangeiro é muito ingênuo. E pensei: "como eu queria!". Como eu queria ser uma ingênua cidadã do primeiro mundo a ponto de não ver nenhum problema em abrir o portão da minha casa para um estranho.

Contei isso pro meu gerente e ele me falou do dia em que comprou um colchão de segunda mão e, quando foi buscar, o cara disse, pelo telefone: "Eu não estou em casa, mas faz o seguinte, entra pelo corredor, vai até o final e abre a porta dos fundos que está destrancada. É só entrar e pegar.
hahahaha
Gente! Pensa!
Ele disse que tava esperando alguém ligar pra polícia pra avisar que a casa estava sendo invadida. Bendita ingenuidade é essa de ver alguém entrar na casa do seu vizinho e a última coisa que você vai pensar é "esse cara vai roubar".

(A propósito, era um colchão de criança, pelo qual ele pagou CINCO DOLÁRES. Porque aqui eles usam um cadin e botam no gumtree pra vender a preço de banana).

Eu disse preço de banana? Gente, nunca vi um lugar pra banana ser tão cara como aqui. Na promoção é AUD 1,70 o quilo.
É, meus amigos, tão pensando que a vida aqui é melhor por causa disso tudo que eu contei? Então vai pagar 8 reais em 5 bananas.



sábado, 2 de julho de 2016

Eleições federais e salsichas


Os australianos estão votando para escolher o primeiro ministro.
Mas eles são muito engraçados. Gente, australiano é muito engraçado!
Os títulos das matérias nos jornais impressos, os repórteres falando na TV, os comerciais, o jeito MAIS EASY GOING IMPOSSÍVEL das pessoas na rua... Isso aqui é um barato.
E é tudo MUITO irônico.
E nas eleições não poderia ser diferente. Até o Google Australia entrou na onda e fez um maps especial pra dizer onde tem salsicha de graça nos locais de votação. E isso virou mais notícia do que o resultado (super empatado).
Olha isso (e não deixe de conferir os comentários, por favor!):

https://www.facebook.com/GoogleDownUnder/videos/1584868811813410/
Aí fui eu tentar entender de qual é da salsicha e tive essa conversa sobre eleições para os curiosos sobre o tema:

eu - Did you vote?
amigo australiano - Yes

eu -  Is it compulsory?
aa - Sort of

eu - What you mean?
aa -  If you are enrolled you have to, if you are not you dont have to


eu - And what is this talk about sausages and vote?
(sounds ironic and fun)
aa -  Hahaha some politicians has people cookig sausages to try and get people to vote for them

eu -  Do they really get votes from this?
aa -  Probably no. But it was so close that if they could change one or 2 it could make a difference

eu - But it's not automatic. Is it?  It will take some days to decide, no?
aa -  Its too close. Normally we know the next day but right now it is too close to know. Also being enrolled to vote is not automatic

eu - Did you eat something while voting? Hahah
aa -  No i didnt hahaha

eu - Do you have other options instead of choose someone? Can you go there to say that you don't want none of them? Or that you agree with the majority?
aa -  You can do whats called a donkey vote where you don't write anything on it

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Filme de terror

Aqui na Austrália as pessoas morrem mais por animais do que por qualquer outra causa (não, isso não é um dado oficial, é só uma percepção de quem consome notícia sensacionalista)
(Outro parêntese: notícia sensacionalista é só o que tem porque aqui não tem notícia ruim. Tá tudo na mais perfeita ordem, na mais santa paz)

Enfim. Numa mesma semana, uma mulher foi comida por um crocodilo, um cara foi atacado por um tubarão e a outra, coitada, teve seu implante de silicone destruído por um canguru.

(Não é piada, olha só: http://www.smh.com.au/national/womans-breast-implants-ruptured-in-kangaroo-attack-in-south-australia-20160531-gp8gx3.html)

E aqui também tem, carx leitxr, P-Á-S-S-A-R-O. Se existe alguma remanescência de dinossauro, são os pássaros da Austrália. Eu sei, é clichê, é piada pronta sobre a Austrália, mas quando você está aqui você entende de verdade do que se trata.

Eles são cruéis, malvados, agressivos e, cá entre nós, mal agradecidos. Porque geral trata eles bem. Eu já vi pássaro acordar um bairro inteiro, já vi pássaro DESTRUIR quintal e já vi atacar ciclista direto no olho. E ninguém faz NADA. Sabe por quê? Porque eles devem ser respeitados, são natureza. São mais fracos (ah, tá!).

Mas, de forma geral, eu decidi que não me deixaria abater pelos animais na Austrália. Não digo "abater" no sentido literal, mas no sentido de andar por aí morrendo de medo.

Eu não tenho medo deles, eles não sentem meu medo, somos todos parte de uma única coisa e assim, todos somos felizes.

Éramos.

Até hoje.

Quando eu estive em um filme de terror.

Pensa na cena: madrugada. Rua vazia. Silêncio absoluto. Ninguém por perto. Nem um carro, NADA.

A moça indefesa está caminhando pra casa feliz e saltitante, rindo do ex-namorado, que faz graça pelo Wtsapp.

De repente, um barulho de pássaro.

Pássaros não piam no meio da noite, do nada. (Ou piam?)

O som vai se aproximando, ficando mais alto e mais próximo.

Mano, eu entrei em desespero.

Abaixei a cabeça, apertei o passo e comecei a rezar. Pensei que pudesse ser loucura minha: cerveja + cansaço. Resolvi abstrair e continuei meu caminho.

Outro som. Dessa vez mais alto e mais próximo. Acho que o mesmo pássaro. Talvez o macho do anterior. Ou a fêmea, vai saber...

Na minha cabeça comecei a rever todos os vídeos que já assisti de pássaros atacando gente. Me subiu um frio na espinha... Comecei a rezar alto dessa vez.

Até que me veio a ideia genial: atravessar a rua.

Eu não sei o que eles estavam fazendo naquelas árvores, mas do outro lado da rua não tem árvore. Ainda bem.

Eu tinha certeza que seria hoje meu ataque de pássaro australiano.

E eu realmente me senti num filme de terror. Foram 20 segundos que duraram 20 horas.

Acho, de verdade, que atravessar a rua resolveu meu problema.

E foi assim que me salvei de uma cena de filme de Hitchcock. Atravessando a rua.


sábado, 4 de junho de 2016

Hong Kong is not China

A versão desse texto em português está no fim da página ;-)
Portuguese version at the end of the page ;-)


As all you must know I`m in Brisbane also to study english. In my english school I have this amazing teacher called Sarah. She`s from England and very committed to her students. Last week we were talking about our class student`s online habits and most of my friends knew that I have a blog. But they actually can`t read it because it`s in portuguese. One of them made a joke saying that I write it in portuguese so I can gossip about them. So Sarah offered me something. If I`d write a post in english, she would help me to correct it and check grammar and spelling.

Of course it s an irrefutable proposal.

Also last week we had a class about China and  some of us were confused about the difference between China and Hong Kong. Fortunately, I share my house with a couple from Hong Kong. Me, Ruby and Anthony are always talking about political and social issues in China, Hong Kong and Brazil. They`re both social workers and they really care about people. So, I thought it would be a good idea to use this opportunity to improve my writing skills with the possibility to help to explain why people from Hong Kong don`t feel like they are chinese and don`t want to be chinese - with the help of two people who were born and raised there.

First of all let´s know where Hong Kong is located:





As you can see in the second map, Hong Kong is divided in 3 parts: New Territories, Kowloon and Hong Kong Island.

Two hundred years ago, during the Qing Dynasty, Hong Kong was just an island, a little undeveloped village and nobody wanted to live there. Like Ruby said: "China was such a big country, who would care about that tiny island?"

Then, in 1839, the Opium Wars started. (You can read more about it here: https://en.wikipedia.org/wiki/Opium_Wars). China lost the First Opium War wich was concluded by the 1842's Treaty of Nanking. The treaty ceded the island of Hong Kong and Kownloon to the United Kingdom.
(Notice that New Territories were part of Hong Kong, but it was only ceded to the British after the second Opium War. Discover more clicking here).


That's the moment when everything starts. From 1842, the tiny island wasn't chinese anymore and became part of the United Kingdom. That means everybody living there wasn't under the Qing Dynasty. They were part of  the United Kingdom. The official language became english. Even so, people were still speaking Cantonese - that's why they can speak both languages.

In the begining the British just didn't care much about this chinese territory. But, somewhere near to 1950, everything changed. It´s important to know what was happening at this moment in history: After the Second World War, China faced a civil war between democrats and communists. The communists won and lots of people decided to leave China, especially the rich. Many of them fled to Hong Kong, sometimes swimming, like Ruby´s grandmother, sometimes running, like Anthony´s grandfather. At that time, some movement starts to fight against the United Kingdom, like the 1967 riots.

All that political and economic issue brought more effort from the United Kingdom and development for the place. They've started to live and develop as a European place, not a Chinese/communist. And they´re still living like this.

On 19 december of 1984 when I was celebrating two years old,  Margaret Thatcher was in China, signing another treaty, this time, promising to give Hong Kong back to China in 1997.

The legacy was a high level of education, a capitalist system and a british passport (for those who were born before 1997). They still have more freedom altough their leader is choosen by China´s government. Anyway, they don´t feel chinese. Despite of being geographically in the same country, Hong Kong people always mention China like "them" not "us".

Anthony told me that it´s not about law or territory. It´s about feeling. "We don´t feel chinese", he said while he explained to me that there are many different reasons for it:

- Cutural difference: "At least we have different social norms. We are not rude, when we wait for a bus, for example, we wait in the line". He also mentioned that in Hong Kong, they combine eastern and western culture. They keep the tradition with international influences.

- Business: It´s pretty much better to trust in Hong Kong than in China. Like Anthony said: "We´re fully influenced by democracy. When you do businnes it´s free. In China markets are controlled by government, the policies can change anytime".
In China, also, corruption is free. You can buy rules. In Hong Kong it is serious. "We´ve got a stable and trustly system. It´s always about law, the stock market and the trade system. People can trust in Hong kong to do business and invest their money", Anthony said.

In other words, people from Hong Kong believe that they're more important to China than China are for them. They also think and act in different ways.

In Hong Kong you can access Facebook, Twitter, Instagram, Google... In China the only allowed social media networking are made and controlled by the government. If you say something undesirable, you may lose your account.

But inspite of this "freedom", if someone in Hong Kong tries to alert people about the totalitarian system, this person may disappear. If you talk about China, politics, freedom, you will be taken to prision.

Of course the history is longer and more detailed than that, and you can check much more doing Google or Wikipedia research. But, in a short way, that´s why people from Hong Kong don´t consider themselves as part of China.

Can you imagine how hard is it? You live 5 thousand years as a chinese, suddenly, you become english. Than, you live 155 years like an English and then, they want you to be a Chinese. Hard, isn't it? Specially if you know freedom, it´s hard to wanna be in the prison...


And if you are from a western culture and think that it´s too complicated to understand, you better know that it´s just a small part of Asian history. I´ll finish with Ruby´s assertion: "I know it´s difficult to understand, but it´s better than Thailand's history".

By the way, take a lot at this page where this last figure came from: http://www.remarkably.com/artist-shows-eastern-western-cultures-language-can-understand/

CHECK IT OUT:
Anthony told me that there is lot of information missing here. Maybe one good way to start your research for the differences between China and Hong Kong would be this link:
http://qz.com/442887/how-hong-kong-is-different-from-china-in-a-series-of-offensive-stereotype-based-posters/


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EM PORTUGUÊS


Como todos vocês devem saber estou em Brisbane, também, para estudar inglês. Na minha escola tenho essa professora tudo de bom, que é a Sarah. Ela é inglesa e super comprometida com nosso aprendizado. Na semana passada estávamos falando sobre os hábitos online da turma e quase todo mundo sabia que eu tenho um blog. Mas disseram que não conseguem ler porque está em português. Um deles até brincou dizendo que eu escrevo em português pra poder falar deles. Então, a Sarah me fez uma proposta. Se eu escrevesse eu post em inglês, ela corrigiria pra mim.

Claro que é uma proposta irrecusável.

Também na semana passada, tivemos uma aula sobre a China e a verdade é que todos ficamos meio confusos sobre a diferença entre China e Hong Kong. Felizmente, eu divido minha casa com um casal de Hong Kong. Eu, Ruby e Anthony passamos muito tempo discutindo política e problemas sociais na China, em Hong Kong e no Brasil. Os dois trabalham com assistência social e realmente se importam com pessoas. Então achei que poderia ser uma boa ideia usar essa oportunidade para melhorar meu inglês e aproveitar para explicar porque as pessoas de Hong Kong não se consideram chineses e não querem ser chineses - com a ajuda de duas pessoas nascidas e criadas lá.


Em primeiro lugar vamos entender onde Hong Kong está:




Como você pode ver no segundo mapa, Hong Kong é dividido em 3 partes: New Territories, Kowloon and Hong Kong Island.

Duzentos anos atrás, durante a dinastia Qing, Hong Kong era apenas uma ilha, uma vilazinha subdesenvolvida e ninguém queria morar lá. Como a Ruby disse: "A China era um país enorme, porque alguém ia ligar para aquela ilhota?"

Então, em 1839, começaram as Guerras do Ópio. (Você pode ler mais sobre isso aqui:  https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerras_do_%C3%B3pio). A China perdeu a primeira, que terminou em 1842, com o Tratado de Nanking, cedendo a ilha de Hong Kong e Kownloon ao Reino Unido.(Repare que New Territories era parte do território de Hong Kong, mas só foi cedido aos britânicos após a Segunda Guerra do Ópio. Saiba mais clicando aqui - só em inglês).


É esse o momento em que tudo começa. A partir de 1842, a ilhota deixou de ser chinesa e passou a ser parte do Reino Unido. O que significa que todo mundo que morava lá deixou de ser parte da dinastia Qing. Eles eram agora parte do Reino Unido. A língua oficial passou a ser o inglês. Mesmo assim, as pessoas ainda falavam cantonês - por isso eles falam as duas línguas.

No começo, os britânicos não ligavam muito para esse território chinês. Mas, em algum momento durante os anos 50, tudo mudou. É importante saber o que estava acontecendo naquele momento na história: Após a Segunda Guerra Mundial, a China enfrentou uma guerra civil entre democratas e comunistas. Os comunistas venceram e muitas pessoas decidiram abandonar a China, especialmente os ricos. Muitos deles fugiram pra Hong Kong, Às vezes nadando, como a avó da Ruby, às vezes correndo, como o avô do Anthony. Naquele momento, alguns movimentos começaram a lutar contra o Reino Unido, como o pessoal da Revolução Cultural Chinesa.

Todas essas questões políticas e econômicas fizeram o Reino Unido dar mais atenção à Hong Kong, bem como ajudaram no desenvolvimento local. Eles começaram a viver e se desenvolver como um lugar da Europa, não como chineses/comunistas. E ainda vivem assim.

Em 19 de dezembro de 1984, quando eu comemorava meu aniversário de 2 anos, Margaret Thatcher estava na China assinando outro tratado, desta vez, prometendo devolver Hong Kong à China em 1997.

O legado foi alto nível de educação, um sistema capitalista e um passaporte britânico (para os nascidos antes de 1997). Eles ainda tem mais liberdade, apesar de que o governo e Hong Kong é eleito pelo governo chinês. Apesar de estarem geograficamente no mesmo país, as pessoas de Hong Kong sempre se referem aos chineses como "eles", não como "nós".


Anthony me disse que não é sobre lei ou território. É sobre sensações. "Nós não nos sentimos chineses", ele me contou, enquanto explicava as várias razões pra isso:

- Diferenças culturais: "Nós temos, pelo menos, normas sociais diferentes. Nós não somos mal educados. Quando esperamos por um ônibus, por exemplo, fazemos fila". Ele também disse que em Hong Kong eles misturam as culturas ocidental e oriental. Mantém a tradição, mas com influências internacionais.

- Negócios: É bem melhor confiar em Hong Kong do que na China. Como o Anthony disse: "Nós somos completamente influenciados pela democracia. Quando você faz negócios, é livre. Na China os negócios são controlados pelo governo, as regras podem mudar a qualquer momento". A corrupção também é escancarada na China. Você podem comprar as regras. Em Hong Kong, é sério. "Nós temos um sistema estável e confiável. É sempre sob a lei, mercado de ações, sistema de comércio. As pessoas podem confiar em Hong Kong para fazer negócios e investir dinheiro", garante Anthony.

Em outras palavras, as pessoas de Hong Kong acreditam que são mais importantes para a China do que a China é para elas. Eles também vivem de forma diferente.

Em Hong Kong você pode usar Facebook, Twitter, Instagram, Google... Na China, as únicas redes sociais permitidas são criadas e controladas pelo governo. E se você publicar algo indesejável, vai perder sua conta.

Mas, apesar dessa "liberdade", se alguém em Hong Kong tentar alertar as pessoas sobre o sistema totalitarista, essa pessoa pode desaparecer. Se você falar sobre China, política ou liberdade, pode ser preso.

É claro que a história é bem mais longa e detalhada que isso, e você pode descobrir muito mais fazendo uma pesquisa no Google ou na Wikipedia. Mas, em resumo, essas são as razões pela quais as pessoas de Hong Kong não se consideram parte da China.

Mas também, pensa bem: você vive 5 mil anos como chinês, e aí, te transformam em inglês. Aí, você vive155 anos como inglês e, de repente querem que você vire chinês? Difícil né? Ainda mais conhecendo a liberdade, é difícil querer aceitar a prisão...


E se você é ocidental e acha que é complicado entender, é bom saber que esse é só um pedacinho da história asiática. Vou terminar com um aviso da Ruby: "Eu sei que é difícil entender, mas pelo menos é mais fácil do que a história da Tailândia".

A propósito, dá uma olhada na página de onde eu tirei essa última figura: http://www.remarkably.com/artist-shows-eastern-western-cultures-language-can-understand/


DÁ UMA OLHADA NISSO:
Depois que eu terminei o post, o Anthony me disse que ainda falta bastante informação sobre as diferenças entre chineses e hongkongers, então, se você quiser entender mais, pode começar clicando aqui:
http://qz.com/442887/how-hong-kong-is-different-from-china-in-a-series-of-offensive-stereotype-based-posters/

domingo, 22 de maio de 2016

Gold Coast

Eu vim pra Brisbane via agência de intercâmbio. As agências brasileiras especializadas em Australia costumam ter escritórios aqui nas principais cidades. Mas como intercâmbio é coisa de molecada e eu escolhi uma cidade de adultos, a minha agência não tem escritório aqui. Só em Gold Coast.

A moça que me vendeu o pacote disse: "mas não encana, Thá! É super pertinho. Você vai de Train e chega em 40 minutos". Eu acreditei, né?

Demorou 2 horas e 20 minutos.

De train express - o que não para nas estações do caminho.

E não é só o train. Quando chega lá você tem que esperar o ônibus.

E dar uma mega volta de ônibus.

Outra coisa que ninguém tinha me explicado antes, em nenhum blog que pesquisei, nem nas agências: Gold Coast não é o nome da cidade ou da praia. É o nome da costa. Com todas as suas diferentes praias (e montanhas. Meu flatmate morava em Gold Coast e não morava na praia  esteve lá esse fds meditando no alto da montanha). A minha agência não fica em Gold Coast. Fica em Surfers Paradise, que é uma das praias de Gold Coast.

Mas isso que contei até agora é só a parte ruim.

A parte é boa é que você não precisa ir até a agência pra nada*, é super fácil e barato chegar lá de transporte público e Surfers Paradise é MUITO legal. Quando eu cheguei, dentro do ônibus, olhando de longe, eu não saba se aquilo parecia a parte de rica de Panama City ou Miami Beach. É chique, tem prédios altos, com cara de lugar de gente rica. É bem legal!

Mas quando você chega no "calçadão" as coisas parecem mais acessíveis a nós mortais da classe trabalhadora e tem um super clima de praia de verdade. Tem gente andando descalça, embaixo das palmeiras, rumo à loja da Louis Vitton. E tem um monte de sorveterias. E eu tomei um sorvete DELICIOSO. E a minha vontade era de não voltar pra casa. Só voltei porque foi a primeira vez que usei o transporte público e estava meio receosa em relação aos horários da volta.

Não é muito legal isso? A primeira vez que você usa o transporte público da sua cidade é justamente pra ir à outra cidade?

Mas enfim, Surfers Paradise é muito legal, é super badalo e eu adorei. Só o que eu não sabia, naquela primeira semana, é que no fim de semana seguinte eu iria conhecer Noosa e entender que Surfers Paradise está para o litoral sul assim como Noosa está para o litoral norte de São Paulo.

Falo sobre Noosa e Sunshine Coast no próximo post. Até lá, fique com as fotos do meu celular em Surfers Paradise:










*Se Você está pensando em vir fazer um intercâmbio na Australia, você vai ter que preencher algumas fichas dando seu endereço. Tanto antes de vir quanto logo que chegar. Use sempre o endereço da escola. Ela está lá pra isso e você vai pra lá todos os dias. Sua agência pode ser longe e sua casa do primeiro mês vai mudar no segundo. A escola não.





sexta-feira, 20 de maio de 2016

Bicicletinha

Eu mudei de casa. Meu contrato de homestay acabou e, apesar de eu amar aquelas pessoas, era tudo MUITO barulhento. Quatro crianças geram energia suficiente pra explodir uma bomba atômica.


Na minha cabeça.


E também apesar de ser um lugar muito confortável de se morar porque o bairro, Spring Hill, era walking distance de qualquer coisa, era MUITO caro. Então mudei para o silencioso, charmoso, affordable e adorável bairro de Greenslopes.


O único problema aqui, é que não abrange o mapa de bike compartilhada da cidade. O sistema de transporte público é dividido por zona. Zona 1 é o centro e bairros limítrofes. A partir do próximo bairro depois desses limítrofes, já é zona 2. Uns 3 bairros depois desses da zona 2, já é zona 3 e por aí vai. Acho que chega até 7.

Greenslopes é zona 2. O sistema de bike compartilhada só abrange a zona 1. E tem um outro problema. O ônibus na zona 1 custa 2,68. Na zona 2 já vira 3,14 (no horário comercial. Antes e depois é mais caro). Pra ser feliz e economizar, a única solução é mesmo uma bike.

A que eu quero, uma mountain bike equivalente à que eu tinha no Brasil, custa 700 dólares. Se eu tivesse 700 dólares sobrando, eu ia passar um fds em Sydney.

Então virei aloka do Gumtree. Todo santo dia, assim que chegava da escola, entrava lá e procurava por bikes. Conversei com dezenas de pessoas, fui pessoalmente em 2 lugares ver as bikes, desisti de ir em outros porque eram muito longe, achei a bike perfeita por 30 dólares, mas caindo tanto aos pedaços que ia precisar de 500 dólares para recuperar e assim fui indo até que quarta-feira encontrei Jhon. Um australiano mega gente boa que levou a bike pra eu dar uma olhada, lá no centro, e ainda me deu o locker de presente. E me vendeu uma bike LINDA, vintage, 100% australiana por CINQUENTA DÓLARES. Ele disse que muita gente queria, mas como eu fui a primeira a fazer contato, ele me deu preferência. (Eles são éticos/morais assim e eu merecia. Me dediquei pesado a encontrar a certa).

Voltei pra casa com ela e os 7km em 35 minutos por faixas exclusivas foram lindos, curtindo a agradável noite brisbanense (hahaha brisbanense é uma palavra horrorosa que provavelmente não existe).

Mas faltava subir o banco e como a bike é velha, não tem chavinha pra virar com a mão. Precisa de ferramenta. Onde eu ia arrumar uma??? Por desencargo de consciência resolvi perguntar pro Andy, o australiano com quem divido ap (divido com ele e com mais um casal de Hong Kong, o Anthony e a Ruby) se ele tinha alguma ferramenta. Ao que ele respondeu:

- Oi? Você está me perguntando se eu tenho alguma ferramenta? Minha caixa de ferramentas é maior que essa sala, eles me chamam Handy Andy. Não há nada que eu não possa consertar.

Gente, cada palavra dessa frase ia me fazendo mais feliz. O que mais eu posso querer NA VIDA do que morar com o handy Andy? Subimos o banco e a bike está perfeita!!!

Mas devo confessar, a brincadeira toda não custou 50 e sim 90. Pedalar sem capacete e luz acesa dá multa pesada. Então gastei 19 dolares num capacete e 20 num kit com lanternas frontal e traseira (e também veio um medidor de velocidade, temperatura e distância que acabei de instalar e testar). Adorei essa alta tecnologia de sensor na minha bike retrô hahaha.

Não é linda?

domingo, 8 de maio de 2016

O jogador de futebol estava dirigindo quando resolveu filmar a namorada cantando e postou nas redes sociais. Teve que ir pra mídia pedir desculpas pelo erro, admitindo que fez uma grande bobagem ao usar o celular enquanto dirigia. Tomou uma multa de 350 pilas (pq o vídeo era prova suficiente) e perdeu pontos na carteira. Hihihi. A notícia acabou de ocupar dois minutos do jornal.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Tá tudo dominado

Preciso falar aqui sobre algo que eu já desconfiava: Brisbane é mesmo uma cidade muito pequena.

Quando você nasce e passa 20 anos na terceira maior cidade do planeta Terra, tirando as outras duas maiores, qualquer cidade DO MUNDO vai ser pequena. E foi o que pensei quando cheguei em BH, onde passei meus outros 13 anos. Só que eu cheguei numa BH de 2 milhões e saí numa grande BH de 4 milhões de habitantes. Perto de Brisbane (1,1 mi habitantes), BH é gigantesca.

Até então, eu tinha visto Brisbane pelo Google Maps. E eu escolho os lugares pela distância de bike - Brisbane está toda mapeada pra bike no Google e tem vários caminhos exclusivos pra bicicleta. E as coisas me pareciam longes -. Hoje, fui pedalando para um bairro que fica 3 bairros atrás do meu (o meu é praticamente na city). O google disse que eu chegaria em 20 minutos. Eu cheguei em 7.

De lá fui para o ooooutro lado da cidade. Como o sistema de compartilhamento de bike não chega lá, porque é "super afastado", optei pelo ônibus. O Google disse: 28 paradas, 30 minutos. O que ele não disse é que o ônibus tinha ar condicionado, não estaria lotado, que ele só pararia se tivesse alguém no ponto e que, em 18, das 28 paradas, o busão estaria numa faixa exclusiva. Repetindo: mais da metade do caminho tem faixa exclusiva.
E mais: como eu fui e voltei em pouco tempo, eu só paguei a ida. A volta foi de graça. Levou 22 minutos e custou AUD 3.

Ai gente, é demais. Transporte público funcionando, bikelane em todo lugar, uma cidade pequena que tem TUDO o que você pode precisar e esses bairros "afastados" também tem tudo. Um shoppingzinho em cada avenida principal. É mega fofo. E é tudo limpo.

A sensação de estar em um lugar ultracivilizado e não ultralotado é indescritível.
No mais, É MUITO fácil andar por aqui. Por isso afirmo: tá tudo dominado!

P.S - Só não pode esquecer de comprar seu GoCard

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Bike bike bike!

O principal motivo que me fez escolher Brisbane (entre outros tantos) com tantas opções de cidades legais na Australia* foi o fato de aqui ter um dos melhores sistemas de bike compartilhada e ciclofaixas do mundo.

Mas fato é que, como qualquer sistema de bike compartilhado de qualquer cidade que eu já estive, elas não são acessíveis e práticas para turistas. Parece até que é uma proteção pros usuários do dia a dia. Então, tive que esperar meu cartão do banco chegar e ter um cartão do sistema público de transporte local para poder pegar emprestada minha primeira bike.

- Existem outras opções e outros preços e outras formas, mas como não sou paga para divulgar esse serviço, se você quiser saber mais sobre ele, descubra yourself hahaha. Tá tudo aqui: http://www.citycycle.com.au
E sim, eu sei o que você vai dizer: os óstrólianos precisam urgentemente de designeres melhores. Sim, eu concordo - 


Sei que fui lá, na estação de bike, pegar uma. Mas aqui é lei: tem que usar capacete. E os capacetes ficam na cestinha da bike. Na primeira estação nada de capacete. Continuei a pé (e frustrada) até a próxima estação, onde haveria de encontrar capacetes. Nada. Fui até a terceira: nada. Só na quarta estação de aluguel encontrei um capacete na cestinha. Não me pergunte onde eles estavam. Acho que roubam mesmo. De qualquer forma, Brisbane é uma cidade pequena e as distâncias são curtas especialmente no centro. Quando você vai muito longe, uns quatro bairros longe da city, vai gastar 27 minutos de caminhada - que você faz feliz, porque a cidade é linda e quente. Então, achar estações de bike é fácil e elas ficam perto uma da outra.

Quando achei um capacete corri desesperada pra alugar aquela bike. E o capacete tava mega fedido hahaha. QUE NOJOOOOOOOOOO. hahahahaha. Eu só queria chegar rápido ao meu destino, pra me livrar daquele capacete. Mas eu estava com a Ana, que estava a pé, então foquei na conversa e tentei não pensar no capacete.

Vinte e dois minutos depois de pedalar mansinho ao lado de alguém que estava a pé, cheguei ao meu destino e TCHAN: não tinha vaga pra devolver a bike. Eu tinha consultado o APP que avisou que só tinha uma vaga. Tentei a sorte e me ferrei. Então me dirigi à estação mais próxima que ficava a três minutos (vocês estão entendendo como o negócio é sério? São centenas de estações).

Aquele rolê básico no QAGOMA (o Queensland Art Gallery & Gallery of Modern Art que merece outro post), uma voltinha em South Bank com direito a almoço italiano de verdade, com pasta de verdade, com pesto delícia (e não aquela massa sem graça que eles fazem aqui no jantar, já que ninguém almoça) e um parmesão MARAVILHOSO do Torba. Eu disse Torba, com r. Super indico esse lugar. E tem dias em que pasta e pizza é a metade do preço. #ficadica

E aí era hora de voltar. Já sagaz no processo, quando cheguei à estação, cheirei todos os capacetes e escolhi o que não cheirava hahaha. E voltei feliz da vida, pedalando, em direção à city (centro) e suas excessivas estações para devolver as bikes. Já aprendi tudo. Já tô pronta pra ser uma heavy user do Brisbane City Cycle. Desse tipo aqui:


Acho que carece só de levar um touquinha na carteira, daquelas de cozinha, pra proteger o cabelo antes de usar o capacete coletivo. Anyway, algo me diz que esse sistema será usado aleatoriamente porque, muito provavelmente, vou ter minha bike e meu capacete antes do que eu imaginava. Vocês NÃO ACREDITAM nos preços das bikes usadas no Gumtree...


Muito delícia! Pode vir pra Brisbane pedalar que é legal demais!

* Já mencionei que os australianos nos ensinam a dizer Australia com som de Oz? Eles fazem questão de te corrigir: Óztrólia. Quando eu escrevo Austrália já tô pensando Óztrólia hahaha

domingo, 1 de maio de 2016

Outro feriado (e a sensação de vazio)

Segunda-feira passada foi feriado aqui em toda a Austrália. ANZAC DAY, em homenagem à memória dos herois e veteranos de guerra.

Amanhã também será. O dia do trabalho, primeiro de maio, caiu no domingo e, por isso, eles jogam pra segunda-feira. Como eu gastei muito dinheiro no feriado passado (basicamente com cerveja), resolvi ficar em casa nesse. E hoje choveu. E eu tô de TPM.

Imagina a bad.

Até dormi bastante - pela primeira vez aqui na minha cama - passei a manhã com calma. Depois desci pra brincar com todos da casa. Teve panqueca, karaokê, quebra-cabeça e a gritaria usual causada por 4 crianças.

Depois subi pro meu quarto, fechei a porta e fiquei em silêncio. Mano! Foi me dando um desespero! Porque, acompanha o pensamento: nos últimos 17 dias eu vivi quatro dias por dia. Todas as novidades, todas as informações, todo o calor, todos os novos nomes, sotaques, palavras, aulas, lições, museus, praias, crianças, parques, brincadeiras, novidades, ETCÉTERA. De repente, você para. Fica em silêncio e pensa: silêncio.

E agora?
Por que mesmo estou aqui? Onde mesmo estou indo? Qual é mesmo o sentido da vida?

E aí desaba aquele vazio de respostas. Aí achei esse cara. E quero compartilhar esse vídeo.
Enjoy <3


quinta-feira, 28 de abril de 2016

Cheers

Cheers, como todos nós sabemos, é SAÚDE, pra saudar o brinde. O mesmo que "tim tim".

Hoje, estava eu no Border office, o serviço de imigração, por volta de 4 da tarde, quando um sujeito terminou de obter uma informação e disse ao funcionário: "Thanks". Ao que o funcionário respondeu "cheers".

Tomei um susto paralizante de 2 segundos ao imaginar o funcionário do escritório de visto e cidadania tomando uma com um imigrante no meio da tarde. Mas logo lembrei da aula de vocabulário em que o professor disse que "cheers" também é usado para dizer "obrigado".

A propósito, falando em cheers e australianos, todo recibo de supermercado te dá algum tipo de desconto para uma outra compra em um outro lugar. Sempre vai ser bebida alcoólica. Isso não é um país, isso é um pai!


quarta-feira, 27 de abril de 2016

Tiazinha

Estou pensando em mudar minha descrição aqui no blog. De "brasileira estudando em em Brisbane" para "viajante brasileira estudando em Brisbane". Explico: acho que estou meio atrasada no tempo.

Só eu naquela escola de inglês nasci em 1982 (na 'escolinha', como bem chama minha cocunhada Mariana). Meus coleguinhas de sala não sabem quem são os Rolling Stones, nunca assistiram Trainspotting e não ouviram falar em Stanley Kubrick. Não fossem os professores da minha idade, eu não teria com quem conversar.

E o problema maior de andar com a turma que nasceu em 1996 é que eles não entendem as minhas piadas. Aí fica difícil ser feliz. E eu juro que o problema não é a qualidade das piadas. Minha mãe na homestay, (que é de 78) e meus teachers dão risada! hahaha.

Mas eu super entendo. Cultura geral se adquire com o tempo e, aos 20 anos (sim, você que está lendo aqui também já pode se sentir velho - alguém de 1996 já tem 20 anos) tem outros interesses na vida, além de filmes do século passado. Eles tem, por exemplo, que ir pra balada.

A errada sou eu. Eu que estou no lugar certo, porém na hora errada. É como da vez que fui participar da manifestação na câmara dos vereadores em BH. Só eu lá tinha mais de 22 anos. E, você sabe, ninguém sabe tanto das coisas quanto as pessoas de 20 anos. Então, melhor não discutir. Nem julgar. Seja na câmara dos vereadores de BH ou observando os brasileirinhos e europeuzinhos na sala de aula de inglês, a melhor opção é relaxar e se divertir. No fim, sempre sai alguma coisa legal.

Anyway, se você está na idade tiazinha, como eu, e pensando em fazer um curso de línguas em outro país, não desanime. Você vai precisar dele pro visto de qualquer forma, mas você não precisa tentar fazer amizade lá. Sempre haverá a biblioteca e seus grupos de conversação - evento frequentado por pessoas que tem visto de trabalho e estão interessadas em treinar o conhecimento da língua. É de lá que você sai com os melhores contatos no Wtsapp. #FicaADica ;-)

domingo, 24 de abril de 2016

Mais sobre Brisbane

Brisbane é a única cidade da Austrália que tem uma City Hall. Todas as outras cidades tem apenas Town Halls. Sabe o que isso significa? Nem eu. Mas descobri essa informação quando estive lá, na última quinta-feira.
O imponente prédio da prefeitura também abriga, no terceiro e último andar, o Museum of Brisbane, com entrada franca e direito a subir na clock tower, uma das atrações da cidade, o big ben deles (um tantinho menor que o original hehe).
Eu tive muita sorte porque estava dentro relógio às 3 da tarde. Vi a máquina funcionando e o engenho rodando para bater o sino. Uma lágrima de emoção escorreu discretamente do meu olho. De dentro do relógio é onde menos se ouve as badaladas. Da minha sala de aula, por exemplo, dá pra ouvir muito mais alto do que de dentro da tower.

Clock Tower vista de fora

Vista de Brisbane, de dentro da Clock Tower
























Mas voltando ao fato de o museu estar lá em cima, te pergunto: Não é genial? Você pisa na cabeça do prefeito pra conhecer a história da cidade. E lembrar quem é que manda na bagaça. E, na visita ao museu, fica muito claro que quem manda aqui é o rio.


A exibição sobre o rio está lá ocupando duas salas desde 2013. Não sei até quando. Mas esse trecho define bem a importância nele e o que ele significa hoje em dia:

"By the 1970s, development threatened to overwhelm the Brisbane River. Since then, the city renewed its efforts to reconcile urban growth with the river’s natural beauty. In part the effort was remedial. Toxic industries were removed, factories recast as theatres and bars, and parks and walkways set along the river’s banks. Recreation changed from bathing and fishing, to appreciating the river from a restaurant or a riverside park. In part the effort was romantic. The river was to be at the heart of defining the city’s identity and lifestyle".

Saiba mais sobre o museu e o river clicando aqui: http://www.museumofbrisbane.com.au/whats-on/the-river

Como em qualquer cidade, o rio é a razão e o local para tudo ter começado. O nome dele é BRISBANE.

Quinze pontes cortam o rio Brisbane em toda sua extensão ao longo da cidade. Lá no museu tem essa seleção supimpa de imagens e fotos da cidade e, é claro, o curso do rio:


1888

1940

1980

2013


O museu ainda traz fatos curiosos como:

- John Oxley (explorador da marinha britânica) explorou e nomeu o rio de Brisbane em 1823;

- Em 1842 foi fundada a cidade de Brisbane;

- Em 1962 rolou o primeiro Warana Festival, super agito da cidade que rola até hoje, agora sob o nome de Brisbane Festival  (Saiba mais:
http://www.brisbanefestival.com.au/about/history)

- Em 1988, a cidade recebeu a Expo 88 e mais de 18 milhões de pessoas durante 6 meses. O espaço para alocar esse evento virou o que hoje é South Bank Parklands <3

- Brisbane é o maior município da Austrália: 185 bairros, 4 ilhas, ocupa mais de 1340 km²  tem mais de 1,1 milhão de moradores.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

CAFÉ

Aqui na casa de família onde moro tenho direito a café da manhã e janta. O jantar é com eles, na sala. O café é sozinha, aqui em cima, onde tenho uma geladeira, uma torradeira e afins.

E uma bagaça de ferver água.

E CAFÉ SOLÚVEL.

Duas vezes, quando eu estava lá embaixo, Michelle me ofereceu café.

SOLÚVEL.

Cansada dessa palhaçada, porque sou uma pessoa que gosta de CAFÉ, decidi ir além. Tem uma opção no seven eleven, de regular long black por 1 dólar. É aceitável, melhor que o solúvel, mas, ainda assim, resolvi entrar numa cafeteria com cara de lugar caro.

Pedi o long black, (que consiste em café e água, porém, feitos na máquina, mas nada de leite, machiatto, capucinno, whatever). QUATRO DÓLARES E CINQUENTA CENTAVOS. O atendimento é personalizado, as meninas são gentis, a máquina é linda e tem cara de ajustada e todo dia tem um pó especial. Depois de pedir e pagar, enquanto esperava, resolvi checar as informações do café do dia.

CARMO DE MINAS.

Eu viajo até a Austrália, pago AU$ 4,50 num café e a bagaça é do sul de Minas.

Passei no mercado, comprei outra marca de café solúvel, por AU$ 4,30 e resolvi parar de criar encrenca interna por causa disso.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Primeiras impressões

Eu li bastante sobre Brisbane, vi vídeos, blogs etc e concluí: é uma cidade pequena, porém, com boas oportunidades, bons museus, boas bibliotecas e boas formas de diversão. Eu sabia que Brisbane era a capital do estado de Queensland e a terceira maior cidade da Austrália. Mas, convenhamos, a Astrália tem de habitantes, o mesmo que a grande São Paulo. Então confesso que cheguei aqui imaginando uma cidade do interior de São Paulo, porém bem organizada.

Hahahaha. Que tolinha eu. Hoje faz 5 dias que cheguei e, como ainda tenho muito tempo pela frente, estou mais calminha no que diz respeito a sair explorando a cidade. Mas já posso falar do que já vi.

A primeira coisa que me confundiu foi o fato de o aeroporto ser na beira do mar. Tecnicamente, Brisbane não tem mar. Mas depois, andando de train, dando uma olhadinha no mapa e conversando com algumas pessoas, entendi que eles não fazem muita separação entre as cidades pelo fato de ser tudo muito perto e de fácil acesso, tipo ir pra Contagem ou Diadema, sabe? Só que aqui, você vai pra praia <3.
- Caso queira ver o mapa do train que leva lá no mar, clique aqui. (O azul claro é o mar, a estação Brisbane central é a mais perto da minha casa)

Desci do avião, logo encontrei minha amiga Roberta, que foi me buscar no aeroporto com meu novo chip de celular e seu namorado australiano, Chris, que fala um monte de gíria, e eu fui só fingindo que tava entendendo o que ele estava falando. (Mentira, isso foi só uma piada, eu ficava falando "sorry, what does it means?") O cara usa termos como "heaps" para dizer "lots of". Mas ele já está devidamente abrasileirado pela Roberta e dá abraços, fala besteira e é um querido tentando agradar a gente. Até me pagou uma cerveja australiana! Isso mesmo. Desci do aeroporto e fui pro bar. Quando te disseram que australianos bebem muito, acredite!

Mas antes pude ver a chuva. Sacanagem, né? Chuviscar no dia que você chega na AUSTRALIA! Ainda se fosse a Inglaterra... Cadê os surfistas, o sol, os coqueiros? Não. Chuva! Mas foi só um pouquinho. Quando chegamos ao estacionamento, Roberta disse "pode ir na frente" e lá fui eu. Pro lado do motorista. Demora até você se acostumar com a ideia de que aqui é mão inglesa. Vira e mexe eu olho para um carro e penso "Cadê o motorista? Ah! Do outro lado".

Primeiro vi ruas com construções espaçadas, depois vi pequenos prédios baixinhos, depois comecei a avistar de longe os prédios altos, aí os perdi de vista, de repente era uma ponte e o Brisbane River embaixo, depois um parque, e outro parque, e muitas flores, e bares e lá estávamos: South Bank. A Vila Madalena, a Savassi de Brisbane, porém, com um PUTA parque, um BAITA rio, MEGA limpo, CHEIO de flores e atrações e, atrás de tudo isso, um centro de artes cheio de teatros. E em volta de tudo isso, uma ciclovia mara. Must love Brisbane <3


Demos uma volta e sentamos para a cerveja local, Great Northern. Depois uma volta de carro pelo centro - que tem até um Cassino (já me vejo apostando a alma) - e me deixaram em casa. Voltei ao centro no dia seguinte, com minha mãe Michelle (vai que alguém acha que tô falando da minha mãe Rose) e ela me ensinou a lógica do centro, que eles chamam City (eu moro em spring hill, 6 minutos de distância da city. A pé). Para não se perder na city, tudo o que você precisa saber é um pouco da história da Inglaterra:
Ann, Adelaide, Queen, Magaret e Alice cruzam a Edward.

Também já tive a oportunidade de dar umas voltas de carro com a família local e, quanto mais eu ando por Brisbane, menos eu entendo a arquitetura dessa cidade. Eu já estive em muitas cidades. Acredite em mim: muitas é MUITAS. E eu não sei com o que comparar Brisbane. Tem um prédio alto, aí tem um baixo, aí tem um prédio gordo, aí um tem um fininho. De repente, uma mega construção de 1860, encostada num projeto de 2015. Aí é casa, eis que vira igreja, lá está a biblioteca e um prédio de apartamentos e uma super garagem subsolo de bikes.

Na ausência de palavras para descrever, resolvi colocar umas fotos para que vocês tirem suas próprias conclusões. Reparei que no Museu de Brisbane, que fica no mesmo prédio da prefeitura e tem entrada gratuita, há uma exibição especial sobre arquitetura. Vou lá amanhã. Se encontrar alguma explicação, volto pra contar.






Um parque em cada esquina. Acredite!


Particularidades de um parquinho de esquina


O parquinho de esquina da minha casa

Minha primeira rua em Brisbane <3

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Na igreja batista

Eu não sou exatamente uma pessoa que frequenta a igreja. Na verdade, a última vez que entrei em uma por livre e espontânea vontade, foi a católica de São Judas, na qual fiz minha primeira comunhão, lá em São Paulo. Eu tinha 14 anos.
Não diria que entrei para rezar. Eu entrei porque estava muito puta com uma injustiça que havia presenciado e dei a ordem: Deus, Jesus, são Judas ou whatever, desce aqui e me explica isso, caso contrário, nunca mais acredito em vocês.
...
Nada.
Resolvi dar uma segunda chance: Tá, sei que não rola de sair aparecendo à toa, então só manda um sinal pra explicar.
...
Nada.

Eu ofereci um acordo. Eles não toparam, nunca mais voltei. Um dia meu pai me levou no Vaticano, lá na Itália. Aí eu entendi de vez o que era a igreja.
Mas ainda vou a casamentos, rezo e choro na cerimônia e peço a Deus pra abençoar. E também fico toda feliz quando ligo o rádio às 18h e tá tocando Ave Maria.

Enfim, voltando ao tema do blog, Brisbane, aqui na casa em que moro, a família é batista. Eles saíram da igreja que costumavam frequentar por "questões políticas" (não entraram no mérito da questão) e estão procurando outra. Todo domingo eles vão a uma diferente e, segundo minha mãe local (Michelle), quando for o lugar o certo, ela vai saber. Embora a espera a ande deixando ansiosa.

Eu, que não sou boba nem nada, aceitei o convite para essa busca. Hello! Presta atenção na oportunidade! Uma pessoa que não frequenta igreja de repente tá numa batista da Austrália. É muito surreal!

Eis que lá estava eu, em Moore Park Baptist Church. E quando chegamos, o pessoal da banda ainda estava passando o som.
Com um telão atrás!
Com as letras das músicas!
Eu virei pra Michelle e disse: Subtitles will be perfect! E ela riu da minha cara, claro.

Aí chegou aquele querido do pastor John Moore e, pra facilitar ainda mais a minha vida, fez um monte de slide com os trechos da Bíblia que estava citando. Foi só alegria! A única palavra que eu não conhecia era "tithe". Discretamente puxei meu celular e joguei no google tradutor: "dízimo".

Gente, fica a dica: missa é muito mais fácil de entender do que filme ou teatro. Quer treinar inglês? Vá a missa!

Finalizada a cerimônia, hora do chá. Veio todo mundo em cima da gente porque éramos novos no pedaço. Uma véia muito louca do 1,80m veio em mim: "gente, é muito difícil eu achar mulher mais alta que eu, quer um chá?"
"Claro, querida" e lá fui eu tomar o chá, comer um bolinho e trocar uma ideia com a véia muito louca que não parece com nada que a gente conhece de personagens. Ela me fez comer um monte de bolo, contou do dia que em que esteve num treino de basquete masculino, me ensinou como lava a louça depois que toma o chá lá na igreja, me arrumou um apartamento pra morar e me apresentou uma amiga que tem tudo a ver comigo (na cabeça dela, que é uma véia louca). Foi divertidíssimo, apesar do fato de eu ter que ouvir, muitas vezes a frase que mais ouço por aqui: "Sorry, what´s your name again?"
Ninguém consegue falar Thaís. Meu nome pra eles é Táes e, ainda assim, eles esquecem. Mas tudo bem. Nunca mais vou ver essas pessoas na vida mesmo. hehehe.


P.S - Olha a rua FOFA em que a igreja fica localizada ( Taringa Parade, Indoooroopilly):


"Parade" é um tipo de via. Tem
"street", "avenue", "parade" etc

P.S 2 - Ainda não foi dessa vez que a família encontrou o lugar certo

sábado, 16 de abril de 2016

Magical Backyard

Estou hospedada numa casa de família.
Tem cachorro, vô, vó, pai, mãe e 4 filhos.
Jasmine tem 10 anos, Richard tem 8, Eloise tem 6 e Peter tem 3. "I´ts not píter. It´s píTÁR", ele insiste comigo. Aliás, Pitár é meu melhor professor. Tudo que eu falo com sotaque errado (ou americanizado) ele me corrige. Sempre com essa frase "It´s not bath, It´s bóf". Eu repito, ele fala de novo, eu repito de novo. Muito paciente e gentil esse meu professor de três anos de idade.

No momento em que cheguei pela primeira vez na porta da casa, eles chegaram ao mesmo tempo, vindo da rua. Os 4 correram ansiosos em minha direção. Eu, que quase não agarro crianças até amassar, tive que me conter pra não sair pegando nesse bando de loiro de olho azul mega fofo. (Na Australia você não pega nas pessoas. Entenda e aceite.)

A casa tem três andares, o terceiro é reservado aos dois estudantes da homestay. Eu e uma pessoa que deve chegar na próxima semana, que me parece, vai ser uma menina brasileira. A mãe subiu comigo para dar as instruções e as crianças vieram junto e ficaram rodeando. Ouvi as instruções, coloquei a mala no quarto, lavei a mão, tomei uma água e pronto. "Vamos brincar?". Lá fui eu.

Dei brinquedos do Brasil pra eles, eles me mostraram brinquedos deles e a primeira a estreitar os laços foi Eloise. Eloise é uma menininha de fala firme, bastante enérgica, cheia de histórias e um tanto possessiva em termos de atenção. Exatamente eu quando tinha a idade dela. Veio com Rupert, o urso que, ao apertar, diz coisas como "I love you". Ela também me mostrou as pedras que pegou para Richard - um colecionador de pedras. Foi a deixa para Richard se aproximar.

Menininho de sardinhas, fala baixa, tímido, carinhoso e dono de um humor muito específico e pontual. As qualidades de Ric são apenas para os atentos. Ele é mais de rodear e observar do que de falar. Mas quando ele olha pra você, de baixo pra cima, faz uma piada e ri tímido, prepare-se para derreter. E ele acaba entrando na brincadeira. Foi ele que decidiu me mostrar a varanda que dá pro quintal. E nesse momento, Jasmine sugeriu que fôssemos brincar na cama elástica.

Jasmine é a mais velha. Qualquer pessoa que conhece um irmão mais velho sabe como eles são. Mas, apesar desse peso, ela sabe se divertir. Botou todo mundo na cama elástica e começamos a pular. Até que ela caiu de mal jeito, foi parar no hospital, e só voltou tarde da noite, com o braço quebrado. Estamos dando atenção especial pra ela, mas ela anda bem triste :-(

E tem o pitár. Que fala mais que pobre na chuva. Se ninguém tá afim de conversar com ele, ele canta, ou começa a contar histórias para ele mesmo. Hahaha. E como os mais velhos acabam tirando ele das brincadeiras, ele tem mesmo que fazer isso. Mas ele é um amor. No segundo dia, no jantar, ele ficava me beijando e dizendo "Dad, I´m kissing her, do you know why? Because I love her". Hoje, no carro, ele me puxava pra trás e eu não alcançava ele e ele alegou: "mas se você não encostar em mim, não consigo te beijar!" Aí me beija e sai beijando a família toda <3.

Depois que Jasmine foi ao hospital e Peter tirado da brincadeira, Eloise e Richard foram me mostrar o resto do quintal, além da cama elástica: um banco de areia, as oito galinhas que eles criam para ter ovos e a casa de dois andares. Eloise é FISSURADA em animais. Ela entra no galinheiro (ela é pequenininha, cabe lá dentro), conversa com as galinhas, sai com elas debaixo do braço e te explica como lidar com elas.

Depois, subimos na casa e ela me mostrou suas asas e varinha de condão e avisou: Algo mágico acontece nesse quintal. Ainda não sabemos o que é e como, mas um dia saberemos!
"Sério?", perguntei, maravilhada. "Definitivamente tem algo mágico aqui", concordou Richard.

Estava escuro, subimos e, como o tema era magia, Richard pegou sua cartola e começou a fazer seus truques. E assim, durante 4 horas, eles me entretiveram da maneira que puderam, mostraram todas as habilidades e eu fiquei completamente apaixonada por eles!

Meu negócio nessa casa é acordar logo pra poder descer e brincar. E aprender coisas que a escola não vai me ensinar, ou você acha que vai rolar por lá alguma brincadeira que necessite da expressão "Ready, steady, go" ?

Aqui da janela do meu quarto tem vista para um pedaço da
magia que há no mundo