segunda-feira, 18 de abril de 2016

Na igreja batista

Eu não sou exatamente uma pessoa que frequenta a igreja. Na verdade, a última vez que entrei em uma por livre e espontânea vontade, foi a católica de São Judas, na qual fiz minha primeira comunhão, lá em São Paulo. Eu tinha 14 anos.
Não diria que entrei para rezar. Eu entrei porque estava muito puta com uma injustiça que havia presenciado e dei a ordem: Deus, Jesus, são Judas ou whatever, desce aqui e me explica isso, caso contrário, nunca mais acredito em vocês.
...
Nada.
Resolvi dar uma segunda chance: Tá, sei que não rola de sair aparecendo à toa, então só manda um sinal pra explicar.
...
Nada.

Eu ofereci um acordo. Eles não toparam, nunca mais voltei. Um dia meu pai me levou no Vaticano, lá na Itália. Aí eu entendi de vez o que era a igreja.
Mas ainda vou a casamentos, rezo e choro na cerimônia e peço a Deus pra abençoar. E também fico toda feliz quando ligo o rádio às 18h e tá tocando Ave Maria.

Enfim, voltando ao tema do blog, Brisbane, aqui na casa em que moro, a família é batista. Eles saíram da igreja que costumavam frequentar por "questões políticas" (não entraram no mérito da questão) e estão procurando outra. Todo domingo eles vão a uma diferente e, segundo minha mãe local (Michelle), quando for o lugar o certo, ela vai saber. Embora a espera a ande deixando ansiosa.

Eu, que não sou boba nem nada, aceitei o convite para essa busca. Hello! Presta atenção na oportunidade! Uma pessoa que não frequenta igreja de repente tá numa batista da Austrália. É muito surreal!

Eis que lá estava eu, em Moore Park Baptist Church. E quando chegamos, o pessoal da banda ainda estava passando o som.
Com um telão atrás!
Com as letras das músicas!
Eu virei pra Michelle e disse: Subtitles will be perfect! E ela riu da minha cara, claro.

Aí chegou aquele querido do pastor John Moore e, pra facilitar ainda mais a minha vida, fez um monte de slide com os trechos da Bíblia que estava citando. Foi só alegria! A única palavra que eu não conhecia era "tithe". Discretamente puxei meu celular e joguei no google tradutor: "dízimo".

Gente, fica a dica: missa é muito mais fácil de entender do que filme ou teatro. Quer treinar inglês? Vá a missa!

Finalizada a cerimônia, hora do chá. Veio todo mundo em cima da gente porque éramos novos no pedaço. Uma véia muito louca do 1,80m veio em mim: "gente, é muito difícil eu achar mulher mais alta que eu, quer um chá?"
"Claro, querida" e lá fui eu tomar o chá, comer um bolinho e trocar uma ideia com a véia muito louca que não parece com nada que a gente conhece de personagens. Ela me fez comer um monte de bolo, contou do dia que em que esteve num treino de basquete masculino, me ensinou como lava a louça depois que toma o chá lá na igreja, me arrumou um apartamento pra morar e me apresentou uma amiga que tem tudo a ver comigo (na cabeça dela, que é uma véia louca). Foi divertidíssimo, apesar do fato de eu ter que ouvir, muitas vezes a frase que mais ouço por aqui: "Sorry, what´s your name again?"
Ninguém consegue falar Thaís. Meu nome pra eles é Táes e, ainda assim, eles esquecem. Mas tudo bem. Nunca mais vou ver essas pessoas na vida mesmo. hehehe.


P.S - Olha a rua FOFA em que a igreja fica localizada ( Taringa Parade, Indoooroopilly):


"Parade" é um tipo de via. Tem
"street", "avenue", "parade" etc

P.S 2 - Ainda não foi dessa vez que a família encontrou o lugar certo

2 comentários:

  1. Eu virei Evelyn e ainda assim ouço sempre "that's a really uncommon name!"

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  2. E os nomes deles?
    No meu caso, minha maior dificuldade era decorar nomes que não faziam sentido na minha cabeça... Pronunciados assim: Eicilin, Carly, daun...
    Agora já me acostumei com alguns, mas às vezes ainda esbarro nessas situações também.

    E eu concordo, aprendi muita expressão idiomática na igreja.

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