15:40. Saímos de casa e caminhamos sete minutos até o metrô Saúde.
Linha azul, sussa. Metrô vazio o suficiente para sentar. 26 minutos até o Brás.
Caminhamos 8 minutos até a plataforma 7 para pegar a linha 12 da CPTM, Safira. Um trilho de cada lado. Nenhuma informação. 80% das pessoas esperando no trilho da esquerda, o restante, na direita. 17 minutos em pé esperando, enquanto a simpática moça anunciava no alto falante algo que eu não conseguia entender além de "atraso". Um sacana ameaça ir pro trilho da direita, 30% correm para o outro lado com ele. Os que ficaram tomam a frente e começam a rir. Trouxas, voltamos. O trem chega.
A cena clássica e que mostra a maluquice que o paulistano se encontra: as pessoas literalmente se jogam e se empurram para sentar. Mais 20 minutos de espera até o trem sair. Não tem ar condicionado, a janela que estava bem na minha frente não abria. As pessoas sentam no chão. Não tem espaço para nem mais uma mosca. O trem começa a andar. Mais lento que uma tartaruga. Mais 19 minutos para chegar na próxima estação, onde eu perdi a paciência e comecei a organizar a coisa, em alto e bom som: "Gente, pelo amor de Deus, um passinho pra trás. Olha ali as pessoas paradas do lado de fora enquanto vocês empacam na porta. Vem aqui pro meio!"
A baixinha retruca: "mas eu desço daqui cinco estações. Se for pra lá não consigo sair".
- Consegue sim, minha senhora, vem atrás de mim que eu abro caminho para você.
Todo mundo entrou. Porta fechou, agora vai! Passa vendedora de água, pepsi e guaraná, passa vendedor de KitKat 3 por R$ 5 e a galera só "dando um licencinha" pros ambulantes trabalharem com algum espaço.
Mais 18 minutos até a próxima estação, meu destino final naquela linha, para desespero da mulher que confiou em mim e se enfiou no meio do corredor. Para sair precisa falar alto de novo "Com licença! Licença! Licença! Ei, você que está parado bem no meio da porta aberta, vai sair? Não? então dá licença, por favor!"
E eu e meu primo imaginando a cena do gringo com mala de viagem fazendo esse trajeto.
Chegamos à próxima baldeação: Linha 13, Jade. Trem novo, telas com mapas, distâncias e destino, ar condiconado e ESPAÇO. Bem diferente do trem anterior, esse era largo. Sentamos, nos acomodamos e... TRINTA MINUTOS até o trem sair da estação Engenheiro Goulart. Nessa hora já estávamos delirando que poderíamos estar na linha 4, amarela, vendo na telinha quanto tempo até o trem sair enquanto se assiste ao desfile daqueles seguranças selecionados pela Ford Models.
Lento de novo. Até a estação Guarulhos-Cecap. Googlo quem foi Engenheiro Goulart, wikipedia diz que é o sujeito responsável pela construção da estação Central Do Brasil, hoje a cargo da CPTM, mas a CPTM é paulista. Googlo quantas central do brasil tem. Só aparece Rio de Janeiro. É muito pra minha cabeça. Desisto do Engenheiro Goulart. O trem dispara em velocidade esperada até a estação Aeroporto-Guarulhos. QUE PARA NO TERMINAL 1
SÓ SAI PASSAREDO DO TERMINAL 1
QUEM VIAJA DE PASSAREDO?
(Brincadeirinha. Azul também sai de lá).
Tem um onibuzinho rapidinho bonitinho esperando você lá pra te levar até o Terminal 2. Nosso destino final, atingido às 18h08.
Tá mole ir de trem pra Guarulhos. Um pouco de suor, um pouco de sangue, quatro reais, DUAS HORAS E 28 MINUTOS e é isso aí. Chegou.
Chegamos. Para ver nossa amiga ser expelida da sala de embarque, porque o voo dela para o Rio de Janeiro atrasou e a Lufhansa avisou que não ia esperar para a conexão. Na fila da Avianca, dois atendentes e oito pessoas na frente. Após 2 horas e 20 minutos nessa fila, transferem ela para um voo da TAP depois da meia noite.
Nos despedimos.
Na volta, depois das 21h, chegamos ao trem e o aviso: a Linha Safira não está funcionando. "Mas tem ônibus de graça lá para vocês até o Brás", diz a atendente.
Obrigada. Vamos de ônibus até o Tatuapé. 22:34 - Tatuapé bombaaaaaando. 23:20, em casa, explicando para uma amiga, via wtsapp, porque eu não quero morar em São Paulo e lembrando do sujeito no aeroporto que vestia uma camisa de ET escrito "I believe in humans".
P.S - Tá na hora da revolução
P.S 2 - Ela não acontece nas urnas
Seu relato sempre engraçado mas não deixou de me dar um mini ataque de ansiedade. Será que um dia melhora e fica usável para quem vai viajar?!?!?
ResponderExcluirAmo São Paulo... Mas pra passear... De preferência entre 20 de dezembro e 05 de janeiro... E olhe lá...
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