domingo, 5 de maio de 2019

Grécia

Iraklion, Katakolon, Argostolion, Kalamata, Nafplion, Mykonos e Monemvasia. Esses foram os sete portos que paramos na Grécia.
Cada vez que eu paro num Porto eu jogo no Google: o que fazer em _______ em um dia. Em português mesmo. Porque quando mais de 200 milhoes de pessoas falam portugues, em pleno 2019, acredite, alguem ja foi pra lá e postou sobre. Seja lá onde for "lá".
Algumas vezes eu tô inspirada pra ir longe, outras tô mais cultural, outras, só quero mesmo sentar num café e usar o wifi. Especialmente nos portos que se repetem. Ao todo, foram 9 dias na Grécia.
Sim. Eu passei 9 dias na Grécia hahaha. Dá pra acreditar? E cada vez que eles falavam entre eles eu pensava: que é isso mano? Tá falando grego?

E é início de primavera. Então eu não conheci a Grécia paraíso do verão. Mas eu vou te falar o que conheci.
Imagina um sonho. Em cores. Ou filme de fotografia bonita. Onde a sensação é paz.
É isso. Temperatura amena. Nem muito quente, nem muito frio. Quando venta, venta de verdade. Tipo, segura pra não voar. Uma laranjeira em cada esquina. Muita flor. Não sei dizer se é porque são pontos turísticos ou se é porque essa é a relação dos gregos com a natureza, mas haja flor bonita no caminho. E o verde da grama é um verde real. Daqueles que te faz feliz só de olhar. E olha que nem sou tão fã de verde. (Convenhamos, azul é mais bonito).
As pessoas, nem sei te dizer. Não são super bonitas, mas também não são feias. Não são tão legais, mas também não são franceses.

- Francês é o adjetivo que uso agora para definir uma pessoa chata, grossa, egoísta, rude, esnobe, totalmente sem graça, cagadora de regra. Estamos fazendo 42 dias de viagens EXCLUSIVAMENTE com franceses então, accredite que sei o que estou falando -

Mas enfim, gente não é o forte da Grécia. Natureza é! Até o mar é mais bonito lá. E é limpo e organizado. Eu estava esperando visitar um tipo de império falido, mas eles estão super bem, obrigada.

Em Iraklion (Heraklion em português), na Ilha de Creta, carecemos de bons sapatos. É super agradavel pra andar o dia todo. Até a ponta do forte ou subindo as ruas exclusivas de pedestres. La tem correios de facil acesso. O que é raro. E vitrines de doces e queijos maaaaravilhosas. Tem um monte de museus, mas eu não entrei em nenhum. E tem um monte de ruela pra se perder e de repente dar de cara com uma loja de discos de vinyl especializada em música grega, com uns tio véio sentado lá dentro, trocando ideia. Fui andando aleatoriamente, apenas seguindo meu querido guia, o fotógrafo Ovidiu, que é romeno, não fala portugues, mas lê meu blog. A vida era muito mais fácil quando ele estava por perto e sabia a temperatura, a historia do lugar e que ônibus pegar. Agora tenho que me virar sozinha. Isso é tão chato e deprê que, da segunda vez que fomos lá, nem desci do navio.


Katakolon, que é o nome da cidade e da ilha, é onde o pessoal vai pra cidade de olimpia, ver as ruínas da primeira sede das olímpiadas. Eu não fui pq é longe. Custa caro, gasta muito tempo e, cá entre nós, chega uma hora que ruína cansa e você pensa "ah, to de boas de ficar olhando pra resto de pedra velha". Mas lá, alem de tooooodos os restaurantes e bares na beira do mar e das fofíssimas quadras de lojinhas, tem um trenzinho que é demais! Te leva pros fundos da ilha, pro topo do morro, você vê as casinhas e fazendinhas dos locais, visita uma vinícula em que a dona te recebe alcoolizada e uma praia do outro lado da ilha que eu nao lembro o nome, talvez St Andres. O maquinista do trenzinho se apaixonou pela minha amiga chinesa que trabalhava na loja comigo (e com quem eu ia começar a dividir a cabine se ela nao tivesse sido transferida pra outro navio) e parou aleatoriamente a viagem duas vezes. Uma pra pegar flores pra ela e outra pra pegar a planta com a qual eles fazem aquela coroa das deusas gregas - pra fazer uma pra ela. No fim, eles se abraçaram, conversaram com a ajuda de um terceiro elemento que falava Ingles e grego e ele Prometheus (haha q trocadilho maravilhoso) esperar até que um dia, um navio que ela trabalhe, passe lá de novo.

Argostolion, que fica na Kefalonia, é bem calminho e vazio nessa época do ano e, tirando uma visita a um rio dentro de uma caverna, (que, de novo, é longe e caro) não tem muitas atrações. Cafés e lojinhas, como o habitual. Mas tem essa pontezinha apenas para pedestres, que deve ter mais ou menos 1,5km de extensão que é a coisa mais simplesmente sensacional que eu adorei tanto. Estávamos andando eu e Anju, minha amiga do spa, das Ilhas Mauricio. A paisagem é qualquer coisa de sensacional. A montanha na medida de altura e cor perfeita, o rio calmíssimo (trazendo alívio pros dias de mar MUITO agitado que mais parecia que a gente tava numa maquina de lavar do que num cruzeiro) e vários bichinhos. Passou uma tartaruga gigante bem do nosso lado e eu falei pra Anju "joga um morango pra ela voltar". O morango ficou lá a deriva e a tartaruga continuou o caminho dela, toda plena, ignorando nossa tentativa de alimentá-la. "Você me fez desperdiçar um morango pra nada", reclamou Anju que é a pessoa mais engraçada a bordo. E seguimos nosso caminho, ida e volta pela ponte, comendo morangos frescos, observando a perfeição e a calma da natureza e seguindo nosso papo profundo sobre amor e a estranha forma que homens e mulheres se relacionam amorosamente. É mais fácil e prazeroso ter um coração partido com esse visual ao fundo.

Kalamata, também em Katakolon, é uma cidade muuuuito legal. Tem uma praça gigante, cheia de lojas e ruas saindo dela, todas fechadas pra carros, cheio de gente - mesmo sendo um dia frio. Tem algo de diferente em Kalamata. Todas as outras cidades da Grécia que paramos pareciam um pequeno Porto, numa pequena Ilha, de onde se vê o mar de qualquer lugar. Kalamata parece cidade grande, o mar se perde da vista e, diferente dos outros portos, muita gente jovem. Nesse eu saí sozinha então, não tenho nenhuma história boa pra contar sobre um dos malucos que trabalham comigo. (Mentira, eu falei um tempão com a Layze, que Mora la na Nova Zelandia e um tempão com o Bruno, lá no Brasil)

Depois aportamos em Náfplion, do outro lado da ilha, que eu li em muitos blogs que era um dos lugares imperdíveis da Grécia. Bom, talvez seja mesmo. É uma mistura de todos. Desde as ruas estreitas até as praças fechadas pra carros, muitas lojinhas, um castelo/forte, flores, comida grega e italiana, gente feliz, vista pro mar. Comi moussaka, fui obrigada a sentar com a colega de trabalho que nao gosto - mas que ja foi desembarcada - mas, por outro lado, sentei também com Marco, que os leitores desse blog já conhecem, o pizzaiolo, que sempre paga minha conta Haha.

Mykonos, nao tem nem o que falar né, minha gente? A ilhota isolada é maravilhosa. Diferente de tudo que já vi. O chão e as casas são branquinhos, as ruas estreitinhas, as janelas e portas azuis ou verdes e as flores todas coloridas. Sentamos num restaurante com atendentes que falavam todas as línguas da nossa mesa, exceto sérvio, claro, pobre Vesna, minha cabinmate que raríssimas vezes encontra alguém que fala. O barman era português. Perguntei como faz pra morar na Grécia e ele disse "casa com um grego" hahaha. A dona do restaurante me falava dos apuros de morar numa ilha e eu disse "eu sei, eu sei", com meu estômago dando pontadas só de lembrar dos apertos de Noronha. Depois nos perdemos propositadamente e procurando o caminho de volta pro mar chegamos ao fim de uma rua que tinha um restaurante de frente pro mar - literalmente. Se vc sentar na ultima almofada e se desequilibrar, cai na água. Na belíssima água do mar grego.

 Infelizmente, nenhum dia na Grécia foi quente o suficiente pra entrar no mar :,-(
Não que eu esteja reclamando, mas a gente aqui no navio fica meio esnobe mesmo. Hoje, por exemplo, escrevo de Livorno, na Toscana, que tem um trem que chega em Pisa em 20 minutos, mas tá 9 graus e chovendo sem parar então os meninos da fotografia diziam "Pobre Kelvish, vai ter que sair pra fotografar a excursão de Pisa". Você pode imaginar? Reclamar que seu trabalho é ir pra Pisa? Tipo eu achando ruim que fui paga pra ir a grecia mas não pude nadar hahaha.

Por último e não menos importante (muito pelo contrário) fomos a Monemvasia, uma cidade murada, fortaleza do século 6. Eu já estive em algumas cidades muradas na vida, na Italia, na Espanha e em Malta, mas nada se compara a Monemvasia. Pra mim, esse sim é o lugar mais imperdível da Grécia - ao menos do que vi - com as ruelinhas e escadinhas que levam pro alto, muito alto. O ponto mais alto está 1.590 metros acima do nível do mar. Quando cheguei na metade, tirei umas fotos e pensei "tá bom, desço daqui", mas tive a infelicidade de esbarrar em Vincenzo no caminho da volta. Nosso querido enfermeiro é um desses viciados em caminhadas. As férias dele sempre incluem trackings de 7 dias ou mais. Ele já fez, por exemplo, o caminho de compostela. Ele disse pra eu confiar nele, que ele sabe subir pedra, eu sei que ele não é de falar muito - e aquele lugar pede silêncio - então aceitei e fui. Ainda bem! Que caminhada! Que vista! Que mar! Que natureza! Descemos e sentamos pra comer algo. Comemos um monte de porções de comidas locais. Eu bebi meio litro de cerveja e ele bebeu um litro de vinho. Toda aquela natureza, todo aquele álcool nos deixou muito emotivos. Esses italianos maravilhosos que choram e abrem o coração. (Depois da minha temporada de quase 3 anos com aqueles congelantes australianos, essa overdose de italianos dramáticos é tipo uma benção). Conversamos sobre o céu, o mar, as férias, os projetos futuros e, aos prantos, ele me contou da culpa que sente pela morte do pai, porque ele é enfermeiro e devia ter feito escolhas melhores. Imagina se ele tem culpa! E o dia que fazia 2 anos da morte do pai foi o dia que tiraram ele da cama mais cedo aqui pra ajudar um hóspede que morreu à bordo (nada demais. Ele tinha 94 anos).

Enfim. A Grécia é maravilhosa. Nas companhias certas, melhor ainda. Vai lá! E vai no meu insta também, pra ver as fotos. @tpacheco1912




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