Não sei se isso interessa a alguém, mas eu gostaria de contar como vejo a vida.
Como a natureza.
Sou viciada em astrologia. Amo mato: flores e árvores. Adoro ver a água e conto para todo mundo a história que o numerólogo chinês me contou, da pedra que fica parada lá embaixo no rio e demora séculos para ser lapidada e a outra pedra, que vai descendo a cachoeira, se chocando com as outras e rapidamente vira um diamante.
Se eu fosse desenhar minha vida, ela era uma folha de planta, que a gente joga no mar e deixa ele levar para onde quiser.
A natureza é sábia, os ciclos são inevitáveis e é preciso confiar no universo. Eu não sofro de insônia porque eu confio no universo. Também daria para desenhar essa confiança: é a moeda que a gente joga para cima e deixa cair no chão. Se der cara, segue ela. Se der coroa, vai de coroa então.
Eu não sei se eu tenho sorte e por isso é fácil viver assim; ou se, justamente por viver assim, eu crio meu campo de sorte.
Eu também acredito em esforço. Em estudos. Em rede contatos e em não pecar pelo medo de tentar. E acredito, principalmente, em curiosidade. Tudo isso somado também cria um campo energético positivo. Eu tenho absoluta convicção de que a gente colhe o que planta. Eu tento espalhar coisas boas, embora o que é bom ou não seja uma questão de ponto de vista. Mas até aí... seria muito desperdício de energia me preocupar com todos os conceitos do mundo. Por isso escolho minhas sementes, que incluem positividade, sinceridade, todo o conteúdo da oração de São Francisco e inspiração em pessoas que considero incríveis.
Com fé em Deus (pode escolher seu Deus aí, fica à vontade) e pé na tábua, a minha escolha foi me jogar nessa vida louca, vida breve, vida imensa. Eu nasci lá na Mooca, meus pais mudaram pra saúde e eu fui junto porque, aos 5 anos, eu não tinha condições de pagar meu aluguel. Depois, aos 19, meus pais foram para BH e eu resolvi ir também, para tentar ser amiga do Rogério Flausino, que me foi apresentado quatro vezes e, nas quatro, ele disse "muito prazer, Rogério", como se a gente nunca tivesse se visto antes. Do Sion fomos para o Buritis e, de lá, eu resolvi sair para casar e voltamos para o Sion, onde fui feliz enquanto duro. Depois voltei pra casa do meu pai.
Nesse meio tempo, fiz teatro, fiz jornalismo, fui assessora, redatora, editora, produtora, locutora... Entrevistei o Gilberto Gil, fiz um monte de revista freela. Viajei 17 países, 15 estados brasileiros, assisti o Chico Buarque e o Paul McCartney há 8 metros de distância, fui ao cinema de graça por 4 anos. Conversei com loucos, caretas, dormi, acordei, comi e respirei.
Cansei da porra toda. Espalhei tudo o que tinha e fiquei só com uma mala. Fui para a Austrália. Aprendi a esfregar chão de churrascaria, carregar três pratos lindos na ida e nove pesados sujos na volta, fazer café, falar Strayan, gerenciar um restaurante. Conversei com gente que tava feliz de férias viajando o mundo e gente que tava morrendo ou com o filho paralítico no hospital. Larguei a bandeija e sentei na mesa do cliente pra chorar com ele, ganhei 200 dólares de gorjeta. Conheci gente de todas as idades, cores, sabores e origens, aprendi o que é um KPI, uma análise SWAT e FIFO. Viajei, sozinha, um país inteiro, de dimensões continentais. Tenho amigos e amores de fato nos lugares onde eu chego.
Voltei pra BH, não me cabia mais. Voltei pra São Paulo, fiquei feliz e insatisfeita. Jornalismo não salva o mundo, trânsito incomoda, por que todo mundo corre tanto? Fui ver como faz cinema e não gostei.
Cheguei ao sexto setênio, desce o biológico, sobe o anímico. Por que voltar para o lugar de onde vim? Fazer as mesmas coisas? Se fosse para ter raíz, eu tinha nascido árvore. (E as arveres somos nozes).
Então, eu tô indo de novo.
Foi bom estar com vocês, brincar com vocês, mas a Lua me chama e eu tenho que ir pra rua. A nova profissão chegou, se instalou e me pediu para continuar. Eu perguntei ao universo o que fazer e ele disse: toma aqui essa vaga de emprego. Vai cuidar de hotel em Fernando de Noronha. Vai viver perto do mar, vai conhecer gente nova, vai fazer coisas diferentes, vá servir aos outros.
Eu aceito, agradeço e concordo: navegar é preciso, viver não é preciso.
Um beijo, da sua sagitariana com Lua e ascendente em aquário preferida.
Maior amiga sagitariana!
ResponderExcluirAdorei ter te conhecido e seu texto
Evoé
Viva a vida
Isso! Tá tudo certo, amiga. "A fé não costuma faiá." Se faiá, a gente "reconhece a queda, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima". Você é craque. Tá tudo certo. bj.
ResponderExcluirmaravilhosa! Qdo eu crescer quero ser assim! ����
ResponderExcluirVc me deve um mapa astral já sete anos!
ResponderExcluirQue seu caminho seja sempre iluminado!!!!
ResponderExcluirvc não existe, Thaís, mas que bom que vc existe!! hehe
ResponderExcluirVivi teu texto andando de mãos dadas com você....se joga! Bjsss
ResponderExcluir�� adorei o texto!
ResponderExcluirBjos!
Que bacana, que vida dinâmica, Thaís. Boa sorte. Um abraço.
ResponderExcluirQue isso... te confesso que ao ler sua sinceridade transcrita no texto acima fiquei uns bons longos minutos em reflexão. O que estou fazendo da minha vida. Obrigado por me jogar nesta reflexão de vida.
ResponderExcluirFoda!
ResponderExcluirNovos desafios, sempre!!!
ResponderExcluirNão esqueça do filtro solar... Te amo!
ResponderExcluirSou eu Carla Machado
ExcluirAdorei à sua história!!!
ResponderExcluirMaravilhosa! Tenho questionamentos muitos parecidos, por esta alma viajante que compartilhamos. A cegueira da loucura desta cidade fez com que eu piscasse e você já tivesse se ido e ficou a vontade de mais e a reflexão. Voe a amiga e até já! Love you!
ResponderExcluirMara! Aproveita muito essa jornada!
ResponderExcluirLinda, que legal.
ResponderExcluirSaudades.