sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Diário de bordo


Dia 1


Primeira hora do dia 13 de janeiro de 2019 e eu chego ao aeroporto de Guarulhos acompanhada de meus pais para fazer o checkin rumo ao Sri Lanka.  Tenho uma carta da companhia dizendo que sou uma trabalhadora do mar e meu visto está garantido na chegada. O moço da Qatar airways não me deixa finalizar o checkin: "Ou você tem uma passagem de volta pra entrar como turista ou você tem um seaman's book. Como não tem nenhum dos dois, não posso te embarcar".
Comecei bem!
Liguei pra agência que cuida da minha contratação no Brasil e a resposta foi "não é problema meu,  ligue pra quem comprou sua passagem"
- Mas meu celular não faz ligação internacional!
- Compra um cartão
- Muito obrigada pela ajuda.

Papaizinho querido me emprestou o celular pra eu ligar pra moça lá em Miami,  que me descolou uma passagem fake de volta. Aí o moço da Qatar airways me sugeriu mentir e dizer, ao chegar em Colombo, no Sri Lanka,  que eu estava lá a turismo.

Gente!  Pensa comigo! A gente mente pra pai e mãe,  pra namorado,  às vezes até pro terapeuta, mas pro oficial da imigração de outro país??? Acho que não...
Reunião rápida em família e concluímos que era melhor ignorar a sugestão do rapaz. Depois, durante o voo,  acessei a internet e tive a chance de conversar com um amigo que já esteve pros lados de cá,  no Líbano, e ele reforçou que não era boa ideia mentir.

Fiz o meu bom e velho drama no checkin: "moço,  você está vendo alguém mais alto que eu nessa fila de 300 pessoas? Eu também não então,  em nome de nosso senhor, me descola um assento numa saída de emergência." Ele ligou pra alguém e pediu pra desbloquear um assento na primeira fileira que depois eu entedi porque estava bloqueado. Um casal de chineses, um bebê e um menininho de uns 3 anos. Viajamos os 5 juntos, em 3 assentos, durante 15 horas. Eles sem falar inglês. A aeromoça mandava ele falar em espanhol e eu tentava traduzir em inglês e foi assim que eles conseguiram escolher a comida e lavar a mamadeira.
Eu juro que fiquei com dó e quase mudei de assento. Mas gente, 15 horas! Tem dó de mim também!

Dia 2

Ja era 14 de janeiro quando descemos em Doha, no Qatar, para fazer conexão.  Tudo escrito em árabe, eu não tava entendendo bolhufas. Já não sabia que dia era, que horas eram, já tinha visto o sol nascer e se por de dentro de um avião  (liiiindo!) e quando vi 3 filas pra conexão,  me fiz de louca e entrei na menor. Depois do raio X o guarda me parou e disse "espera aqui". Veio outro guarda e disse "me acompanhe por favor" e começou a andar comigo pro outro lado do aeroporto.  Pronto. Estou sendo presa no Qatar e nem sei porque. "Desculpa a curiosidade, seu guarda, mas pra onde o senhor está me levando?"
- Quem vem do Brasil tem que passar por outro tipo de fila e revista,  mas como seu voo já está pra sair, vou tentar facilitar as coisas pra você.
Ufa! Não estou sendo presa. Estou sendo bem tratada no Qatar.
Furamos a fila da revista de brasileiros e ele me ensinou a chegar no meu portão. Tinha umas 4 ou 5 pessoas com roupas e aparência de srilanquês no meu embarque.  O resto era um bando de italiano aos berros, rindo e gesticulando.

Cheguei em Colombo, fui pagar o visto na entrada. Parecia uma feira no Brasil. Não tem vidro, não tem segurança,  não tem fila. Centenas de pessoas se amontoam num calor dos inferno e os mais grosseiros, com coragem pra empurrar, conseguem chegar no balcão.  Hehe. Cheguei!

Depois do visto, a temida imigração.  Falar a verdade e torcer pra dar certo depois de dias dentro de aviões. Sabe quantas perguntas ela me fez?
NENHUMA.
E eu quase tendo uma úlcera de ansiedade por esse momento!

Não tem wifi na rodoviária de 3 ônibus no Sri Lanka (mentira. Só parece uma rodoviária de 3 ônibus.  É um aeroporto internacional na capital) então não consegui pegar o uber que já tinha visto que ia custar 2 dólares. Perguntei quanto era o táxi: 30 dólares. Vai-te à merda teu safado, tá falando com brasileiro aqui, malandro!

Achei um quiosque do hotel que ia ficar e eles me ofereceram um transfer por 8 dólares.  Resolvido. Cheguei no hotel chiquérrimo que a companhia descolou e pagou pra mim. A maior cama que verei nos próximos 6 meses. Deitei pra dormir e o telefone tocou "alô,  Thaís,  aqui é seu agente de porto. Estou te esperando no aeroporto com seu visto e transfer".

Mais uma da minha querida agência no Brasil que me documentou,  por email,  que não teria ninguém me esperando no aeroporto...

Mas tudo bem. Marcamos um ponto de encontro no dia seguinte. Quando começa a real jornada...

A história é grande. Fica pro próximo post ;-)

3 comentários:

  1. Que aventura, aguardando a continuação!

    ResponderExcluir
  2. Sempre uma falta de comunicação absurda! Já vi esse filme. Mas muito animada pelas próximas aventuras e muito feliz em ler todos os detalhes. Sê feliz!

    ResponderExcluir
  3. Como sempre, ler suas histórias é ter a sensação de estar a seu lado e vivenciar cada momento. Aguardo anciosa suas próximas aventuras. Beijos

    ResponderExcluir