O Cruzeiro que estamos fazendo no momento (são 3 meses dele) passa pelo Sri Lanka, Male, a capital das Maldivas e India (4 portos diferentes). Em todos os cruzeiros, basicamente, metade dos passageiros é indiano, bem como o lugar que mais passamos tempo é na Índia. Por isso, numa das noites, o tema é Festa de Bollywood. Nessa noite, todos são convidados a se vestir como uma estrela do cinema da índia. O diretor do cruzeiro pediu pra gente na loja entrar na onda e me descolou um sari. Ou, como se escreve por aqui, saree.
Achei a ideia divertidíssima e o sari que ele me descolou, maravilhoso. Estava contando os minutos pra vestir a poderosa roupa.
E aí, começou a saga.
Um sari é um pedaço de pano com aproximadamente 6 metros de comprimento.
Impossível vestir sozinha pela primeira vez.
Temos um gentil rapaz italiano que trabalha aqui que sabe vestir as pessoas e foi ele que colocou o sari em mim. Com uma agilidade tão impressionante, que não deu tempo de eu entender pra aprender. Ele explicou que existem uns três tipos de dobras, um pra casamento, outro se vc for uma princesa e um terceiro, comum, que ele fez pra mim.
Sari pronto e começa o drama...
Na volta pra minha cabine, percebi que andar não seria tarefa fácil. Pra que ele fique bem preso, a gente veste uma legging por baixo e o elástico dela faz as vezes de cinto.
Comecei a dar passos mais curtos pra não desfazer o belo emaranhado que é a parte da frente da saia.
Três lances de escada. Já fui logo pisando na porra do sari e desfazendo o tal belo emaranhado. Enfiei de novo pra dentro do elástico e comecei a rezar.
Na minha cabine, fui fazer uma maquiagem indiana. Li na internet que o forte delas são os olhos. Peguei uns cílios postiços com uma amiga. Mas eu nunca tinha usado eles então, coloquei do jeito que achei que devia. Foi lindo. Parecia que eu tinha, literalmente, duas camadas de cílio. Tipo uma vesga mesmo colocando a traquitana.
Quando o olho estava quase pronto, achei que faltava uma sombra preta na lateral e pedi pra minha cabinmate fazer pra mim. Pra que ela pudesse enxergar bem meus olhos, sentei. Só que a gente mora numa cabine de navio 1x1. O único lugar com luz suficiente e que dá pra sentar, é na privada, colada no chuveiro. Aí, metade do meu sari esfregou na água do chão do banho que eu havia tomado a pouco. Sari molhado, sombra perfeita - prum filme de terror - parecendo que eu tinha tomado uma porrada em cada olho.
Desci pra comer algo rápido antes de começar o trabalho e derrubei suco de maçã na parte de cima do sari.
Agora sim. Simetria perfeita. Sujo em cima e em baixo.
Fui fumar um cigarro digestivo quando encontrei Anju, minha amiga hindu das mauritius islands. Ela disse: "quem fez essa merda? Não é assim que veste um sari" e revirou meu sari e me obrigou a colocar a barriga de fora. Minha barriga de 5 meses de gravidez (não tô grávida, gente. É banha mesmo. Super anti estético). Mas aí lembrei de todas as indianas que vejo por aqui e, aparentemente barriga grande é tendência por lá (dizem até que é pra segurar o sari) então, desencanei e botei a minha pro povo ver também.
Precisávamos correr pra tirar a foto do time e lá fui eu, pisando no sari mais um lance de escada acima. Chegando lá, ele já estava escorregando todo. Tive que AGACHAR pra foto. Quando fui levantar, caí. Porque ou eu caía com o sari, ou ele caía sozinho e eu ficava semi-nua. Ele tava preso embaixo dos meus pés e enrolado nas minhas pernas. Depois de levantar com 4 metros de pano em mim e 2 na minha mão, pra solucionar o problema, resolvi enfiar tudo pra dentro da calça. Aí meu sari virou a calça do Nerso da Capitinga. Todo arreganhado e a legging aparecendo por baixo.
Chegando na loja, um indiano veio me dizer "você está muito linda com esse pano, mas esse estilo está mais pra sri lanka. Se me permite, vou fazer ele virar um sari indiano" e lá vou eu denovo deixar outra pessoa mexer nele.
Eu nunca fui tão bulinada na vida igual naquele momento. Mas ele me jurou que ajeita o sari da esposa todos os dias e por isso ele sabe fazer. E pra dizer a verdade pra vocês, ele estava com um olhar mais preocupado com o valor cultural da coisa do que com olhar de quem queria passar a mão em mim. Mas também, se quisesse, qual o problema, né? Deixa o homem aproveita as férias hahaha.
Aí ficou lindo. Só que cada vez que alguém vem comprar algo eu tenho que fazer um alongamento, por trás da mesa, pra alcançar o produto. E depois, um agachamento, pra pegar a sacola.
Agora imagina um sari alongando e agachando.
E essa merda ia caindo. E ia ficando desconfortável.
E eu rezando pro relógio dar 23h pra acabar o trampo e eu tirar e esse caralho de pano.
E dava meia noite mas não dava 23h.
E as pessoas passando e falando que eu tava linda. E eu olhado o catso do relógio, sorrindo e dizendo "estou adorando estar indiana" e nada de 23h.
O cliente queria entrar no provador pra experimentar e comprar a roupa e eu lá dentro. Tentando ajeitar o sari.
Acho que entrei 27 vezes no provador aquela noite.
22h58. Fechamos as portas. Arranquei o sari. Fiquei de legging e camiseta. Agradeci aos deuses, pedi perdão e jurei que NUNCA MAIS NA MINHA VIDA eu uso um saree.
Achei a ideia divertidíssima e o sari que ele me descolou, maravilhoso. Estava contando os minutos pra vestir a poderosa roupa.
E aí, começou a saga.
Um sari é um pedaço de pano com aproximadamente 6 metros de comprimento.
Impossível vestir sozinha pela primeira vez.
Temos um gentil rapaz italiano que trabalha aqui que sabe vestir as pessoas e foi ele que colocou o sari em mim. Com uma agilidade tão impressionante, que não deu tempo de eu entender pra aprender. Ele explicou que existem uns três tipos de dobras, um pra casamento, outro se vc for uma princesa e um terceiro, comum, que ele fez pra mim.
Sari pronto e começa o drama...
Na volta pra minha cabine, percebi que andar não seria tarefa fácil. Pra que ele fique bem preso, a gente veste uma legging por baixo e o elástico dela faz as vezes de cinto.
Comecei a dar passos mais curtos pra não desfazer o belo emaranhado que é a parte da frente da saia.
Três lances de escada. Já fui logo pisando na porra do sari e desfazendo o tal belo emaranhado. Enfiei de novo pra dentro do elástico e comecei a rezar.
Na minha cabine, fui fazer uma maquiagem indiana. Li na internet que o forte delas são os olhos. Peguei uns cílios postiços com uma amiga. Mas eu nunca tinha usado eles então, coloquei do jeito que achei que devia. Foi lindo. Parecia que eu tinha, literalmente, duas camadas de cílio. Tipo uma vesga mesmo colocando a traquitana.
Quando o olho estava quase pronto, achei que faltava uma sombra preta na lateral e pedi pra minha cabinmate fazer pra mim. Pra que ela pudesse enxergar bem meus olhos, sentei. Só que a gente mora numa cabine de navio 1x1. O único lugar com luz suficiente e que dá pra sentar, é na privada, colada no chuveiro. Aí, metade do meu sari esfregou na água do chão do banho que eu havia tomado a pouco. Sari molhado, sombra perfeita - prum filme de terror - parecendo que eu tinha tomado uma porrada em cada olho.
Desci pra comer algo rápido antes de começar o trabalho e derrubei suco de maçã na parte de cima do sari.
Agora sim. Simetria perfeita. Sujo em cima e em baixo.
Fui fumar um cigarro digestivo quando encontrei Anju, minha amiga hindu das mauritius islands. Ela disse: "quem fez essa merda? Não é assim que veste um sari" e revirou meu sari e me obrigou a colocar a barriga de fora. Minha barriga de 5 meses de gravidez (não tô grávida, gente. É banha mesmo. Super anti estético). Mas aí lembrei de todas as indianas que vejo por aqui e, aparentemente barriga grande é tendência por lá (dizem até que é pra segurar o sari) então, desencanei e botei a minha pro povo ver também.
Precisávamos correr pra tirar a foto do time e lá fui eu, pisando no sari mais um lance de escada acima. Chegando lá, ele já estava escorregando todo. Tive que AGACHAR pra foto. Quando fui levantar, caí. Porque ou eu caía com o sari, ou ele caía sozinho e eu ficava semi-nua. Ele tava preso embaixo dos meus pés e enrolado nas minhas pernas. Depois de levantar com 4 metros de pano em mim e 2 na minha mão, pra solucionar o problema, resolvi enfiar tudo pra dentro da calça. Aí meu sari virou a calça do Nerso da Capitinga. Todo arreganhado e a legging aparecendo por baixo.
Chegando na loja, um indiano veio me dizer "você está muito linda com esse pano, mas esse estilo está mais pra sri lanka. Se me permite, vou fazer ele virar um sari indiano" e lá vou eu denovo deixar outra pessoa mexer nele.
Eu nunca fui tão bulinada na vida igual naquele momento. Mas ele me jurou que ajeita o sari da esposa todos os dias e por isso ele sabe fazer. E pra dizer a verdade pra vocês, ele estava com um olhar mais preocupado com o valor cultural da coisa do que com olhar de quem queria passar a mão em mim. Mas também, se quisesse, qual o problema, né? Deixa o homem aproveita as férias hahaha.
Aí ficou lindo. Só que cada vez que alguém vem comprar algo eu tenho que fazer um alongamento, por trás da mesa, pra alcançar o produto. E depois, um agachamento, pra pegar a sacola.
Agora imagina um sari alongando e agachando.
E essa merda ia caindo. E ia ficando desconfortável.
E eu rezando pro relógio dar 23h pra acabar o trampo e eu tirar e esse caralho de pano.
E dava meia noite mas não dava 23h.
E as pessoas passando e falando que eu tava linda. E eu olhado o catso do relógio, sorrindo e dizendo "estou adorando estar indiana" e nada de 23h.
O cliente queria entrar no provador pra experimentar e comprar a roupa e eu lá dentro. Tentando ajeitar o sari.
Acho que entrei 27 vezes no provador aquela noite.
22h58. Fechamos as portas. Arranquei o sari. Fiquei de legging e camiseta. Agradeci aos deuses, pedi perdão e jurei que NUNCA MAIS NA MINHA VIDA eu uso um saree.
Vc é ótima!!!������
ResponderExcluirRindo até 2020...eu ficaria nua numa boa se fosse cair....kkk....sdds
ResponderExcluirimpagável como sempre hehehe
ResponderExcluirHahahahahaha. MARAVILHOSO
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