CAPÍTULO 1
Dizem (a Coco Chanel disse) que quando uma mulher muda seu cabelo, ela está prestes a mudar toda sua vida.De fato, o cabelo tem tudo a ver com nossas emoções. Radicalizar o corte sempre está relacionado a radicalizar alguma coisa na vida. E, mais ainda, costuma estar ligado ao fim de um relacionamento.
Mas, como eu não tenho um relacionamento sério desde 2015, como já mudei de país, de emprego, de profissão e de cidade nos últimos 2 anos mais do que no resto da minha vida, confesso que não tem nada que me faça querer cortar o cabelo.
Mas dessa vez eu cortei (com o apoio de 130 amigos no instagram @tpacheco1912) por uma questão bem prática: eu vou entrar em um navio para trabalhar. Não quero pentear, esperar horas pra secar pra ficar com ele bonito e arrumado. Dois palmos de cabelo é bem mais fácil de organizar.
Voltando ao começo: criei esse blog quando fui pra Brisbane, para mandar notícias de lá. No fim, meus amigos que já estavam lá liam mais do que os que estavam no Brasil (há, há). Quando decidi morar em Fernando de Noronha, quis mandar novidades de lá e acabei usando o mesmo blog. Mas Noronha foi uma experiência relâmpago, (leia mais sobre isso no capítulo 2 desse post) não deu nem tempo de mudar. Agora, mudei. O que eu espero da nova experiência é poder dar notícias de lugares que verei. E, como sempre - e principalmente - de pessoas que conhecerei.
O problema é que não tem internet em alto mar. Tem, mas custa o olho do cara. E como eu vou ganhar pouco, não pretendo gastar em wifi. Até porque, minha numerologia pra 2019 sugere reclusão e aprendizado. Ler e ouvir me vai ser mais importante do que navegar no face por horas.
Aliás, convido todos a me mandarem e-mails! Saudade do tempo em que trocava e-mails gigantescos com amigos.
Me mandem e-mails! Quando você escreve bastante, se ouve, se percebe e ainda compartilha, tudo fica mais claro e mais leve: tpacheco@gmail.com
Deixar um post pronto para quando o free wifi chegar e responder um email com calma vai ser bem melhor que o frenesí do whatsapp.
Então é isso. Fui. Te vejo pelo mundo.
CAPÍTULO 2
Noronha foi uma das experiências mais marcantes da minha vida, apesar de rápida. Dia sim dia não, alguém me manda uma mensagem perguntando o que tinha na água de lá que me fazia tão linda com um sorrisão tão sincero.
Eu te digo: céu e mar.
Morar em Noronha é estar a um passo de virar um hippie. Ou um índio. Pessoas de vida simples que entendem que a vida se basta. Carros, poluição, pressa, compras, coisas, trabalhar como um escravo, nada disso traz felicidade. Céu estrelado e mergulho no mar, sim. Meditação e yoga na beira da praia, gente linda e feliz que se ajuda e troca sem mais nem porquê, sim. Em Noronha, crianças batiam na porta da minha casa para pedir ingredientes pra fazer massinha e me chamavam de tia. Batiam porque queriam - não havia necessidade de trancar a porta. Amigos me chamavam pela minha janela logo cedo, me acordando, colegas de trabalho dividiam a pouca e cara cerveja que tinham sem regular. Eu nunca tinha vivido em comunidade como lá. Foi a primeira vez que eu entendi o que é viver em comunidade. E na natureza.
Não tem outra opção. O lugar é pequeno, é pouca gente, os recursos são escassos. E a natureza, meus amigos, ela inspira! Inspira, literalmente, paz e amor.
Mas não foi assim que eu vi e vivi Noronha quando cheguei. Parti para um contrato inicial de três meses e nos primeiros 45 dias eu trabalhei MUITO. Cheguei a fazer 20 horas por dia de trabalho, porque o negócio tava tenso. Fui contratada para uma coisa e, quando cheguei lá, fui orientada a fazer o triplo. Até aí, tudo bem, grande chance de aprender, contando com a experiência e conhecimento dos que ali já estavam e me ajudavam. Mas a empresa que eu trabalhei havia passado por maus bocados e a gestão, em vez de resolver e passar por cima, decidiu devolver na mesma moeda. Eram métodos justificáveis porém, um tanto heterodoxos. Não compactuavam com meus ideais. Então eu pedi pra sair. Pedi pra sair antes de vivier e entender Noronha.
Nesse momento eu passei a folgar uma vez por semana e trabalhar no máximo 11 horas por dia. E aí, fui viver Noronha. Conhecer outras pessoas, ouvir outras ideias, viver outras experiências. E me apaixonei. E sugiro a todos que vivam em Noronha por algum período. Mas tem que ser um período de saúde bem estável. O hospital de lá não tem nem aparelho de ultrassom e o colega com dor de canal de dente teve de esperar 18 dias para ser atendido.
Quando chegou a hora de ir embora, eu quis ficar. Mas eu tinha ressalvas. Noronha, de fato, tem uma estrutura muito fraca, por ser uma ilha isolada e isso causa o dobro de dor de cabeça para resolver qualquer tipo de problema.
Então eu pensei: como viver numa ilha sem toda essa dor de cabeça? Uma ilha ambulante e um cargo com menos responsabilidade hehe. Mais céu, mais mar, mais vida necessariamente em comunidade! Um navio! A diferença é que não vai ter samba aos domingos. E nós vamos falar em inglês em vez de português. E não viverei só de gente chegando, mas também de eu mesma indo.
Teve uma lição que eu aprendi em Noronha: eu preciso ser mais paciente. Talvez eu devesse ter esperado mais, talvez eu devesse ter tentado resolver as coisas de outra maneira, lutar mais contra minha ansiedade. Eu fiz uma promessa a mim mesma que, nesse primeiro contrato, que tem duração de seis meses, eu vou até o fim. Custe o que custar. Haja o que houver. Doa o que doer. A menos que seja algo fora do meu controle - uma força externa que me faça sair de lá, eu vou viver tudo que há pra viver. Vou me permitir.
E vamos que vamos.
E não menos importante: obrigada a todos que me ajudaram a chegar aqui. No momento do embarque. Gente que foi buscar e imprimir documentos pra mim, que me deu orientações, informações, me emprestou dinheiro, pagou minha breja e acreditou comigo. Taí outra lição de Noronha (e de uma terapeuta que eu tive anos atrás): pessoas são importantes, são legais e o único jeito de você conseguir ajuda é pedindo. Ninguém, absolutamente ninguém me disse não. Confie no próximo. Vocês humanos são muito legais!
Que maravilhoso! E essa história de numerologia, conte-nos mais sobre isso? rs Sério mesmo, adoro isso!
ResponderExcluirQue seja intenso e incrí
vel!
Que delicia! Te amo! Tudo lindo! Você já é incrível, estas experiências estão te fazendo ainda melhor.
ResponderExcluirQue ótimo, eu amo tudo isto: viver em comunidade, pessoas novas para conhecer e conversar, mar...agora navio em alto mar comigo dentro??? not so sure. Boa sorte em tudo!
ResponderExcluirVoce é inspiração, mulher! Vai grande! Avante!
ResponderExcluirQue delícia!!!
ResponderExcluirAssim como Noronha o navio vai ser só mais um colirio de inspiração para novos lugares, novos céus e novos mares.
Te esperando sempre =)
Que incrível! Bater asas é lindo!!! Obrigada por compartilhar... Bjs Paula Lopes
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